Os dados do Instituto Nacional de Estatística relativos aos rendimentos declarados em IRS em 2024 revelam um Alentejo com rendimento mediano regional de 12.022 euros por sujeito passivo, abaixo da média nacional de 12.316 euros, mas com nove municípios a superar esse valor. Évora encabeça a tabela regional com 13.926 euros, seguida de Castro Verde com 13.826 euros, Santiago do Cacém com 13.507 euros e Sines com 13.442 euros. A presença de Castro Verde e Sines nos lugares cimeiros não surpreende: o primeiro concentra operações mineiras de grande escala na Faixa Piritosa Ibérica, enquanto o segundo beneficia de um porto de referência nacional, refinaria e crescente investimento industrial e energético — sectores que se traduzem directamente em salários mais elevados. O Alentejo Central foi a única sub-região a superar a média nacional, com 12.467 euros por sujeito passivo.
No extremo oposto, Odemira registou o rendimento mediano mais baixo da região e o único abaixo dos 10.000 euros, com 9.657 euros por sujeito passivo — um paradoxo que ilustra as assimetrias do modelo de desenvolvimento agrícola intensivo do litoral alentejano, onde a riqueza gerada pelas estufas e pela produção de frutos vermelhos coexiste com emprego maioritariamente sazonal e mal remunerado, assente numa vasta comunidade migrante. Seguiram-se Ferreira do Alentejo com 10.633 euros, Mértola com 11.174 euros, Sousel com 11.186 euros e Ponte de Sor com 11.188 euros. Em termos de crescimento, Mértola e Portel lideraram a variação anual na região, com aumentos de 10,6% e 9,8% respectivamente, acima do crescimento nacional de 7,6%.
A grande surpresa dos dados do INE vem do Alandroal, pequeno município do Alentejo Central que registou o coeficiente de Gini mais baixo de todo o país — 26,9% —, tornando-se o território com distribuição de rendimentos mais igualitária de Portugal. O indicador mede a concentração dos rendimentos numa escala em que zero corresponde à igualdade total e 100 à concentração absoluta; o valor nacional situou-se em 35,6%, e nenhum município alentejano ultrapassou esse limiar. O Alentejo Central foi também a sub-região NUTS III com menor concentração de rendimentos entre as 26 do país. Os dados confirmam assim uma característica estrutural da região: o Alentejo é mais igualitário do que a média nacional, mas essa igualdade convive com rendimentos medianos globalmente mais baixos — um desafio que os números por si só não resolvem.
