18 Janeiro 2017      11:43

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ALMARAZ, NÃO OBRIGADO!

A questão da energia nuclear volta a estar em cima da mesa em Portugal. No dia 12 de janeiro último, movimentos cívicos e ambientalistas, portugueses e espanhóis, manifestaram-se, em Lisboa, contra a construção de um novo armazém para resíduos nucleares e contra a continuação do funcionamento da central de Almaraz para além de 2020.

Em abril de 2016, já, a assembleia da República tinha tomado a iniciativa de, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo Português para interceder junto do Governo Espanhol e das Instituições Europeias, no sentido de proceder ao encerramento da central nuclear de Almaraz, localizada em Espanha, a 100 km da fronteira com Portugal.

Esta resolução da assembleia da República suportava-se na forte convicção de que a mesma não possui as condições necessárias para estar em operação, uma vez que reprovou no teste de resistência realizado pela Greenpeace e que já deveria ter sido encerrada em 2010. Recorde-se que o tempo de vida útil para centrais nucleares deste tipo é de 25 anos, sendo atualmente esta central nuclear considerada como completamente obsoleta.

Acresce, ainda, que há fortes suspeitas de que a central nuclear de Almaraz possa partilhar problemas semelhantes aos detectados na central nuclear japonesa de Fukushima.

No relatório encomendado pela Greenpeace a consultores independentes e apresentado na conferencia bianual de reguladores nucleares, realizada entre 29 e 30 de junho de 2015, são expostos os principais pontos apontados para esta conclusão de reprovação, nomeadamente: não possuir válvulas de segurança que previnam a explosão do hidrogénio, nem estar prevista a sua instalação até ao final de 2016; e não possuir medidas de gestão de acidentes eficazes de modo a efetuar a contenção total da radioatividade em caso de acidente grave.

Recorde-se que um dos principais problemas atribuídos no desastre de Fukushima foi a não presença de válvulas de segurança para prevenir a explosão do hidrogénio. Desde então, a implementação desta medida adicional de segurança foi tornada obrigatória em todas as centrais nucleares da União Europeia.

Volvidos, praticamente, 6 anos sobre o acidente nuclear de Fukushima, ocorrido a 11 de março de 2011 no Japão, parece ter sido esquecida a mais elementar lição: os acidentes nucleares realmente ocorrem, inclusive em países desenvolvidos, industrializados e avançados tecnologicamente.

É, por isso, desanimador e preocupante que a energia nuclear continue a fazer parte do cabaz energético de vários estados membros da União Europeia e que a Comissão Europeia insista no reforço do investimento em Energia Nuclear.

A segurança nuclear no sentido absoluto não existe. O funcionamento das centrais nucleares tem sempre risco associado e uma quantidade incontrolável de combinações imprevisíveis de coisas que podem correr mal, quer tenha origem humana, em erros ou falhas técnicas, quer tenha origem em eventos naturais.

Sabemos que o nuclear não é uma energia limpa nem segura, por isso temos o direito de reclamar por uma vida tranquila e mais amiga do ambiente.

NUCLEAR, NÃO OBRIGADO!

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