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Opinião

Carta a uma girafa

Querida Girafa,

Ando há meses pensando em como te escrever estas palavras. Na minha ideia, é preciso coragem para, finalmente, te dirigir breves linhas que sei que talvez nem vás ler. Porém, é importante e obrigatório que as escreva.

Certamente sou alguém absolutamente desconhecido para ti. Nunca tive a coragem de te dirigir a palavras certas. E por isso me calo cada vez que passo por ti e cada vez que nos cruzamos. E por isso desvio o olhar. Há algo em ti que fez nascer algo em mim e me ajudou a ver a savana de outra forma. Bem, ajudou-me a abstrair do capim.

 

A chaminé da vida

A chaminé da casa

liberta o fumo

das conversas

à lareira.

 

No inverno

a noite termina sempre

onde começa;

a melodia das vozes e

os timbres mais previsíveis

são o aconchego

de quem se limita a escutar.

 

As horas passam

e ninguém ousa romper

o semicírculo da reunião

familiar.

 

A rua cheira a lareira;

e neste momento sei

que o olfacto é o sentido

que me faz lembrar

o passado com todos

presentes.

 

Tens que acreditar apenas na metade do que vês e ouves…

Tens que acreditar apenas na metade do que vês e ouves... exceto nas noites quentes de primavera num parque.

Trump. O vírus que veio para fortalecer o sistema imunitário democrático

Foi na manhã do dia 9 de novembro de 2016 que acordei com a notícia de que Donald Trump havia sido eleito presidente dos EUA, de longe a prenda de aniversário mais inusitada que alguma vez recebi, devo dizer.

À data recordo-me de ter recebido a notícia com choque, porque embora a probabilidade de Trump vencer fosse muito equivalente à de Hillary, o meu eu racional mais sensato sempre acreditou que à boca das urnas o povo americano decidisse eleger alguém mais previsível no seu comportamento e mais apto para o cargo.

Bye, bye Trump

Michael Wolff, jornalista e ensaísta da “New York Magazine” e da “GQ”, homem do círculo próximo de Trump, num documentário da BBC, definiu a chegada de Trump à Casa Branca como uma experiência: ”O que aconteceria se uma pessoa totalmente inconsciente da história deste cargo (a presidência dos EUA), da responsabilidade deste cargo, tivesse acabado de ser largada de Marte para este cargo? É o que se tem com a chegada de Donald Trump.”

Há relatos de pessoas do seu círculo próximo que revelam o seu comportamento à chegada à Casa Branca como o de uma criança com um brinquedo novo.

Gente mimada em tempos de pandemia

Os números falam por si. Hoje, segunda-feira, tivemos mais 167 mortes, um novo número máximo num só dia (há um total de mais de 9 mil), mais 276 internados (total de mais de 5000 internados) e mais 17 pessoas em Unidades de Cuidados Intensivos (estamos perto do limite de camas com mais de 700 internados).

Vários dias seguidos com mais de 10.000 novos casos diários tornaram Portugal o país com maior número de casos por milhão de habitantes, segundo a universidade norte-americana John Hopkins.

2088

Este é o ano de 2088. Há coisa de 20 anos, o mundo mudou. As razões porque mudou não se sabe bem ao certo, nem nunca se saberá. A mudança foi tão radical que praticamente toda a água se evaporou e desapareceu.

Parece um filme de ficção científica já tantas vezes repetido. Uma história que tantos previram já. Daria um bom romance ou um grande filme.

Fraca Política!

Um País a atravessar um período crítico, com uma pandemia difícil de controlar, a causar danos terríveis às pessoas, e os candidatos presidenciais entretidos em provações e contraprovocações estéreis e completamente inúteis.

Sim, é preciso domar esta pandemia. Sim, é preciso acabar com as mortes provocadas pelo COVID. Sim, é preciso soluções para a crise económica e social que rapidamente se vai instalar. Sim, é fundamental proteger os mais frágeis e mais desprotegidos.

Alentejo ao luar

Os dias mais limpos

vislumbram a Lua

bem antes do Sol

se pôr. A forma estreita

da rua por onde vou

não tem nexo; e só

neste instante percebo,

que o ter ou não ter nexo,

é um mero vício citadino.

 

É apenas aqui,

nesta aldeia do Alentejo,

que quando olho para cima

vejo o que existe para lá

daquilo que já conhecia.

Enquanto houver luar,

haverá claridade

para iluminar as ruelas

que me conduzem

até ao largo da igreja.

 

Pelo caminho,

Ano Novo, um novo desafio

De doze eram o triplo,

mas alguns se abrasaram;

E numa luta com o fogo,

só vinte e dois me restaram.

 

Acreditando em magia,

quantos devo eliminar

para sair do ano velho

e no novo ano entrar?

 

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