A Volta a Portugal à Vela está oficialmente de regresso ao calendário náutico nacional após um interregno de 23 anos. Criada em 1986 e realizada pela última vez em 2003, a prova decorre entre 25 de julho e 1 de agosto, com 31 embarcações — 26 na classe ANC e 5 na classe ORC — a percorrer a costa portuguesa de Vila Nova de Gaia até Portimão. O regresso mereceu uma mensagem do Presidente da República, que sublinhou o simbolismo da prova como expressão da ligação de Portugal ao mar, e foi destacado pelo presidente da Federação Portuguesa de Vela, António José Barros, como um momento de grande importância para a vela nacional, com ambições já apontadas para 2027, ano do centenário da federação.
Sines ocupa um lugar estratégico no percurso: é a última grande paragem antes da etapa final para o Algarve e o ponto de partida da travessia mais longa e exigente de toda a competição, a etapa Sines–Portimão que se estende pelos dias 30 e 31 de julho ao longo do litoral alentejano e algarvio. Para uma cidade habitualmente associada aos seus terminais portuários, à refinaria e aos projectos de hidrogénio verde, receber uma frota de vela de competição traz uma dimensão diferente — a da cultura marítima, do desporto náutico e do turismo, reafirmando a ligação histórica de Sines ao oceano numa das suas expressões mais genuínas.
A prova incorpora também um compromisso ambiental, sendo certificada pela Sailors for the Sea Portugal como “Clean Regatta” no âmbito do único programa internacional de certificação ambiental para regatas, com implementação de boas práticas ao longo de todo o percurso. A manhã de 30 de julho representa assim uma oportunidade rara para quem quiser assistir à partida da frota de Sines rumo ao Algarve — uma visão ausente das costas portuguesas há mais de duas décadas e que a organização pretende que se repita com regularidade no calendário desportivo nacional.
