A vitória da aliança de esquerda surpreende nas eleições legislativas em França, após uma vitória na primeira volta pelo partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen e Jordan Bardella.
Fazendo um breve resumo: o Rassemblement National (RN) ganhou a primeira volta das eleições legislativas em França com cerca 33% dos votos. Este resultado representou um êxito significativo para o partido de Le Pen, anteriormente designado Frente Nacional.
Já a Nova Frente Popular (NFP), uma aliança formada após a convocação de eleições entre o Partido Socialista, os Verdes, o Partido Comunista e França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon, alcançou cerca e 28% dos votos. A Ensemble de Macron alcançou cerca de 21% dos votos.
Perspetivava-se, assim, uma vitória clara do Rassemblement National (RN) na segunda volta das eleições legislativas francesas, mas tal não aconteceu.
A Nova Frente Popular (NFP) foi o partido mais votado, pelo que sai vitorioso deste confronto eleitoral de duas etapas.
Os democratas liberais centristas, do presidente Emmanuel Macron, passaram de terceiro para segundo lugar. Mas são claramente derrotados!
Já o Rassemblement National, o partido de extrema-direita liderado ficou em terceiro lugar, claramente atrás das recentes projeções da Ipsos, segundo as quais Le Pen e os seus aliados do partido Republicanos poderiam obter uma clara maioria absoluta.
Esta é uma situação pouco normal em França, visto que nenhum partido ganhe a maioria sem uma coligação governamental evidente e, deste modo, a França pode encontrar-se agora num impasse político.
Sinceramente, após os resultados da primeira volta, não estava nada a contar com uma viragem tão significativa. Foi uma surpresa!
No entanto, as minhas preocupações são imensas. A França mantém um cenário politico complexo e desafiante. Um país numa situação económica e social crítica, pelo que não se avizinham tempos fáceis.
Na minha modesta opinião e de forma muito resumida e simplista, a França tem vivido nos últimos anos uma forte insatisfação social pelo empobrecimento de grande parte da população, pelo fracasso das políticas relativas aos imigrantes e seus descendentes, falta de perspetivas aos jovens e crescimento da xenofobia. E verdade seja dita, a França tem muito menos influência nos assuntos globais e também europeus, do que tinha há alguns anos atrás. E esta não é uma matéria menor para «os orgulhosos» franceses.
Emanuel Macron alimentou ao longo dos últimos anos muito a esperança da mudança (esvaziando os partidos tradicionais), mas não passou de um verdadeiro flop. Chegou mesmo a ter uma maioria absoluta que desperdiçou brutalmente! A falta de respostas aos reais problemas das pessoas levou a estas mudanças radicais ocorressem de forma mais drástica.
Como resultado final, temos um significativo crescimento da extrema-esquerda e da extrema-direita, que poderá mudar drasticamente o panorama político francês.
Por um lado, muitas das propostas apresentadas em campanha não vão poder ser executadas, sobretudo devido à situação caótica da economia francesa. Por outro, o caldo social é de tal ordem negativo, pelo que poderemos vir a ter fortes convulsões sociais.
A extrema-direita cresceu imenso, mas não ganhou. Estou convencido que estarão cada vez mais próximos de chegar ao poder. E pode ser nas presidências.
Quem governar vai ter até 2027 que apresentar resultados positivos aos franceses.
