Tribuna Alentejo
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Évora!… O teu olhar… O teu perfil…

Hoje, celebra-se o Dia Nacional dos Centros Históricos Portugueses, evento formalmente criado em 28 de março de 1993 e cuja data homenageia o seu patrono Alexandre Herculano, nascido a 1810.

São vários os bens portugueses que estão classificados como património da humanidade, mas, se me é permitido, gostaria de, hoje, homenagear e centrar a vossa atenção no quinto bem português classificado em 1986 pela UNESCO de Património Cultural da Humanidade, a cidade que me viu nascer e que desde então me quis acolher, o centro histórico da “Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Évora”.

No coração da vasta planície alentejana, esta bela cidade fundada pelos romanos com o nome de Ebora Liberalitas Iulia é o testemunho vivo de uma troca considerável de influências que ilustra um ou mais períodos significativos da história da humanidade. Considerada cidade-museu, Évora é herdeira de um rico e variado património cultural, construído e preservado ao longo dos séculos, inclusive foram vários os reis que aqui fixaram as suas cortes, particularmente no período das descobertas marítimas. Dotada de uma personalidade forte e marcante, sobre o carácter ímpar desta cidade escreveu Camões uma estrofe notável nos Lusíadas:

«Eis a nobre cidade, certo assento
Do rebelde Sertório antigamente,
Onde ora as águas nítidas de argento
Vêm sustentar de longo a terra e a gente
Pelos arcos reais, que, cento e cento,
Nos ares se alevantam nobremente,
Obedeceu por meio e ousadia
De Giraldo, que medos não temia.»

Évora é verdadeiramente uma cidade fascinante e invulgar, que encontra na monumentalidade do Templo de Diana a graça eterna de personagens míticas encantadoras. Não tenho como elaborar um tratado sobre Évora deixo isso para os especialistas, mas o que me une à cidade é demasiado forte e sentido, por esse motivo a enalteço em tão breves palavras. A terminar deixo-vos um maravilhoso poema de Florbela Espanca que sobre Évora disse:

«Ao amigo vindo da luminosa
Itália, a minha cidade, como eu
Soturno e triste…

Évora! Ruas ermas sob os céus
Cor de violetas roxas… Ruas frades
Pedindo em triste penitência a Deus
Que nos perdoe as míseras vaidades!

Tenho corrido em vão tantas cidades!
E só́ aqui recordo os beijos teus,
E só́ aqui eu sinto que são meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!

Évora!… O teu olhar… o teu perfil…
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,
Que o coração no peito me alvoroça!»

… Em cada viela o vulto dum fantasma…
E a minh’alma soturna escuta e pasma…
E sente-se passar menina e moça…

Imagem de capa de o "Público"

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