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Ambiente

Autarca de Odemira e Zero alertam para falta de água no concelho

A associação ambientalista Zero une-se e dá voz às queixas do autarca de Odemira sobre a falta de água no concelho, devido à falta de ordenamento e às explorações agrícolas na zona.

Em declarações à TSF, José Alberto Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Odemira, alertou para a forte possibilidade de haver falta de água na região e de a água disponível na barragem de Santa Clara, situada no rio Mira, só chegar para o período de um ano, caso não chova. Para o autarca, o problema é agravado pela agricultura intensiva, situação que o próprio já tinha denunciado ao Governo.

Já Francisco Ferreira, presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, coloca o problema no primeiro patamar das preocupações.

“A questão da água é crucial e não se resolve fazendo mais barragens. Temos tido precipitações mais reduzidas, nomeadamente nas bacias do Algarve e do Sado e, obviamente, isso acaba por se refletir cada vez mais numa atividade que não tem procurado a linha da sustentabilidade, mas, sim, uma linha de mais e mais consumo”, constata o ambientalista.

Francisco Ferreira acrescenta ainda: “veja-se, por exemplo, a opção por culturas como os abacates e a quantidade enorme de estufas que existem no Litoral Alentejano e que têm impactos na paisagem, no uso de plástico, e no uso intensivo do solo”.

O responsável destaca ainda que este tipo de agricultura no Alentejo “não é sustentável”, e que está a ser colocado em risco “um património natural importante”.

Além disso, “uma monocultura tão extensa obriga a mudar o uso do solo diversificado, passando a ter uma única espécie que tem de se cuidar com bastantes quantidades de herbicidas e fertilizantes para uma suposta rentabilidade – porque, quando olhamos em termos de ciclo de vida, é muito mais questionável –, e depois tem uma dimensão social dramática”.

Recorde-se que a situação no Litoral Alentejano veio à luz após os recentes surtos de covid-19 no concelho de Odemira, que expuseram as condições em que vivem os migrantes que trabalham nas explorações agrícolas daquele território.

O presidente da Câmara de Odemira assegura ainda que o Governo já tinha conhecimento do problema, uma vez que as deliberações da autarquia sobre o caso foram remetidas ao Executivo e à Assembleia da República, acusando o poder central de “surdez” perante a autarquia.

De acordo com José Alberto Guerreiro, o surgimento de cada vez mais empresas que contratam estes migrantes para a agricultura intensiva preocupa a autarquia, que teme, “no próximo ano, ter também um problema de falta de água”, caso se continue “a acrescentar explorações agrícolas, sem nenhum critério”.

 

Fotografia de radiopax.com

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