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Cinema

A LAGOSTA

Num futuro distópico muito próximo, as leis da “Cidade” obrigam as pessoas solteiras a ir para “O Hotel”, onde são despojadas de todos os seus bens, uniformizadas consoante o sexo e obrigadas a encontrar um companheiro em 45 dias. No final desse prazo, caso não consigam nenhuma “correspondência”, são transformados em animais. A vida solitária é completamente proibida, por isso, quem decidir fugir é caçado na floresta pelos residentes do hotel, que ganham um dia de residência extra por cada solitário que caçarem com tranquilizantes. O nome deste filme, “A Lagosta” (2015, real. Yorgos Lanthimos), vem do animal que David, o protagonista interpretado por Colin Farrell, escolhe para ser transformado, precisamente uma lagosta, por viver cerca de cem anos, ter sangue azul, ser sempre fértil e ao mesmo tempo um animal raro.

VIANA DO ALENTEJO PREMEIA PEQUENOS REALIZADORES

Quando inventaram o cinematógrafo, os irmãos Lumiére, que não acreditavam sequer na subsistência do cinema, estariam longe de prever que cem anos depois os alunos do concelho de Viana do Alentejo estariam a apresentar curtas-metragens no festival “Lumiére”. Este evento, homónimo dos pais do cinema, decorreu no passado dia 29 de maio, no Cineteatro Vianense, no âmbito do desenvolvimento das atividades de enriquecimento curricular e que contou com a participação de todas as turmas de 1º ciclo do Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo.

NA CASA DO CAFÉ O DIA É DAS CRIANÇAS

O Centro de Ciência do Café (CCC) na Herdade das Argamassas, em Campo Maior, assinala hoje o Dia Mundial da Criança com atividades lúdicas e espetáculos a pensar nos mais novos. As atividades vão decorrer entre as 14h e as 19h. Neste dia as crianças terão à sua disposição insufláveis, uma pista de karts, discoteca, jogos radicais, uma oficina científica, pinturas faciais e a Oficina da Flor.

BEASTS OF NO NATION

Beasts of No Nation (2015, real. Cary Joji Fukunaga) “começa assim. O Nosso país está em guerra e não temos mais escola. Por isso, temos tido de arranjar forma de nos mantermos ocupados”, explica a personagem de Agu (Abraham Attah), logo na primeira cena deste filme, antes de tentar vender a carcaça da televisão do seu pai aos polícias e soldados nigerianos, como “uma tv de imaginação”, onde os amigos representam do outro lado. Estão numa zona neutra, protegida pelos soldados Nigerianos, que procuram manter a paz naquele oásis, dos horrores da guerra que se vivem à volta. Antes, o pai era professor, mas agora é o chefe da secção que ajuda os refugiados a arranjar espaço para viver. Agu vive feliz, e confessa-nos que “Deus gosta mais de música do que de conversa”. É rebelde, e o irmão chega a confessar-lhe que “tens sorte por haver guerra”, e a ironia está servida. Antes de a família ser separada, ao fugir perante a iminência da chegada e ocupação de tropas rebeldes. “É assim que começa”. “Deus, quando fecho os olhos, vejo a época das chuvas na minha aldeia. A terra é arrastada por baixo dos nossos pés. Nada é certo e está sempre tudo a mudar”.

ZOOTRÓPOLIS

Desde que os estúdios da Disney adquiriram a Pixar, tornando John Lasseter o Diretor Criativo de ambos, que o cinema de animação, infantojuvenil, e todas as propostas vindas de ambos, têm tomado um rumo cada vez mais delicioso, de filme para filme, e ao mesmo tempo surpreendente, numa mudança que começou com Bolt (2008, real. Byron Howard, Chris Williams). Uma das mudanças mais evidentes foi o investimento nos argumentos, e num processo criativo aberto à discussão de todos os guionistas e entre todos os projetos, simultaneamente. Em Zootrópolis (2016, real. Byron Howard, Rich Moore, Jared Bush) embora os animais regressem à tela para ser os protagonistas, tanto a história como o seu desenvolvimento e enredo conseguem surpreender-nos de forma positiva. O que já vai sendo habitual, estarmos perante um filme muito adulto, e até complexo, embrulhado numa pequena história, aparentemente infantil e de superação, mas que está muito mais focado na emancipação.

AXILAS

Este último filme do realizador português José Fonseca e Costa, terminado já depois de falecer, é, em boa parte, igual à forma de ser e estar do próprio realizador em toda a sua vida. A partir do conto homónimo de Rubem Fonseca, o realizador dá-nos uma adaptação humorística de forma livre, espontânea e corrosiva. Como homenagem a uma cidade e um país que estão a morrer, deambulamos pelas ruas da cidade de Lisboa, onde Lázaro de Jesus debulha um erotismo exótico, de um poeta incompreendido, inclusive pelos próprios amigos. Entre um copo e outro, uma tasca e outra, o filme começa e termina num cemitério, “dos Prazeres”, lembrando-nos do sarcasmo e ironia que a própria enquadra em todos os seus sentidos.

A BRUXA

Qualquer crença é tão perigosa quanto o desconhecimento. E é daí que a maioria delas surge. Começando a substituir-se, gradualmente, a qualquer forma de razão ou compreensão do mundo, por influência de um fanatismo, ou fé, incomensuráveis. Seja nos motivos divinos, como nos pecados e tentações do oculto. Embora comece por nos colocar no seio de uma família profundamente evangélica, de colonos ingleses nos EUA, em 1630, expulsos da sua comunidade devido às suas divergências religiosas, este filme recoloca-se essencialmente no papel do Homem, cuja própria ignorância, crenças ou maus julgamentos, são o seu maior inimigo.

VOLTAM A OUVIR-SE SONS NA PEDREIRA

Os três anos anteriores saldaram-se como um enorme sucesso desta iniciativa “Pedreira dos Sons” que tem vindo a trazer grandes espetáculos a Viana do Alentejo (Évora).

Aproveitando uma pedreira e as suas condições acústicas únicas e que a transformam numa sala de espetáculos natural e ao ar-livre, a edição 2016 acontecerá já nos próximos 20 e 22 de maio.

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

Aquilo que muitos poderão descrever como “equilíbrio” completo de um grande filme, recheado de ação, coberto com um molho de drama e polvilhado de um tempero cómico, eu prefiro achar chamar de monocromático, liso, plano, flat. É verdade que, sobretudo dentro das sagas feitas pela Marvel Studios, pertencente à Walt Disney Pictures, este embate entre super-heróis é soberbamente interessante, e aqui consegue fugir a um simples desenrolar de pirotecnia e efeitos visuais digitalizados. Contudo, quando um filme se propõe a ser tudo pode acabar por não ser nada. Capitão América: Guerra Civil (2016, real. Anthony Russo, Joe Russo) é um filme que procura posicionar-nos entre as motivações de todos os heróis, cujo controlo dos seus superpoderes está em risco, evitando muito bem cair em maniqueísmos. Através de vários capítulos de vista de cada uma das personagens principais, percebemos que o equilíbrio dos argumentos advém não da sua tomada de posição, mas da responsabilidade árdua dos seus atos, mesmo quando procuram “fazer o bem”. Ainda assim, essa jornada épica de motivações e conflitos, resulta melhor quando assistimos previamente os restantes oito filmes.

MACBETH

Escrita há mais de 400 anos, “Macbeth” continua, entre outras peças e textos de William Shakespeare, a ser escrutinada e reinterpretada, quer no teatro como, neste caso, no cinema, com o filme homónimo “Macbeth” (2015 real. Justin Kurzel). Num ambiente sublime, sob a névoa do espírito humano, paira a incerteza gerada pelas nossas pulsões, desejos e forças. No campo de batalha nada faz tremer ou hesitar o punho e lâminas do general Macbeth (Michael Fassbender), ao defender o seu Rei e primo Duncan (David Thewlis), contra as tropas de Macdonwald apoiadas pela Noruega e Irlanda. No final, sobre o manto de sangue que jorra sobre o campo, Macbeth e o seu amigo Banquo (Paddy Considine) são surpreendidos por três bruxas, ou oráculos, que já antes tinham aparecido, que lançam sobre eles duas profecias: um seria rei, o ouro pai de muitos reis.

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