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Cinema

LOVE

“Love” (2015, real. Gaspar Noé), que só agora chega às salas de cinema portuguesas, é um quadro vivo sobre as nossas dúvidas e ansiedades amorosas, misturadas com o ímpeto sexual as nossas relações, onde os tabus e a frustração nos assaltam perante o desconhecimento dos sentidos e dos sentimentos.

FESTIVAL DE CINEMA DE BADAJOZ ESCOLHE 4 CURTAS PORTUGUESAS

O 22º Festival Ibérico de Cinema de Badajoz, que todos os anos mostra as melhores curtas-metragens de Espanha e de Portugal, selecionou quatro curtas-metragens portuguesas: “Os barcos”, de Dominga Sotomayor; “Maria do Mar”, de João Rosas; “Vigil”, de Rita Cruchinho; e “Yulya”, de André Marques. Organizado por Tragaluz e com o patrocínio da Junta da Extremadura, Filmoteca da Extremadura, Gabinete de Iniciativas Transfronteiriças, Consórcio López de Ayala, Diputación de Badajoz, CEXECI, Fundação Caja Badajoz, Delta Cafés e a Câmara Municipal de Badajoz, o festival terá lugar de 20 a 24 de Julho, no Teatro López de Ayala desta cidade espanhola.

SALVE, CÉSAR!

Este último filme dos irmãos Coen, “Salve, César!” (2016), além de uma história sobre os estúdios de Hollywood dos anos de 1950, é igualmente uma paródia ao estilo dos mesmos sobre uma época e contexto político em que a frivolidade reinava sobre o quotidiano das estrelas e onde o cinema não era mais do que um meio, como outro qualquer, de fazer dinheiro e enriquecer. Por isso, os estúdios eram donos, literalmente, da própria vida, profissional e íntima, dos atores. Que eram uma de muitas peças, centrais mas instrumentais, de uma vasta máquina de fabricar histórias, estruturada pela imensidão dos seus sets e pavilhões, pela grandiosidade das suas histórias e pela ambição das narrativas. Acima de tudo isto, temos o produtor executivo Eddie Mannix (Josh Brolin), que é controlado pela urgência do tempo e pela necessidade de manter tudo em movimento.

A LAGOSTA

Num futuro distópico muito próximo, as leis da “Cidade” obrigam as pessoas solteiras a ir para “O Hotel”, onde são despojadas de todos os seus bens, uniformizadas consoante o sexo e obrigadas a encontrar um companheiro em 45 dias. No final desse prazo, caso não consigam nenhuma “correspondência”, são transformados em animais. A vida solitária é completamente proibida, por isso, quem decidir fugir é caçado na floresta pelos residentes do hotel, que ganham um dia de residência extra por cada solitário que caçarem com tranquilizantes. O nome deste filme, “A Lagosta” (2015, real. Yorgos Lanthimos), vem do animal que David, o protagonista interpretado por Colin Farrell, escolhe para ser transformado, precisamente uma lagosta, por viver cerca de cem anos, ter sangue azul, ser sempre fértil e ao mesmo tempo um animal raro.

VIANA DO ALENTEJO PREMEIA PEQUENOS REALIZADORES

Quando inventaram o cinematógrafo, os irmãos Lumiére, que não acreditavam sequer na subsistência do cinema, estariam longe de prever que cem anos depois os alunos do concelho de Viana do Alentejo estariam a apresentar curtas-metragens no festival “Lumiére”. Este evento, homónimo dos pais do cinema, decorreu no passado dia 29 de maio, no Cineteatro Vianense, no âmbito do desenvolvimento das atividades de enriquecimento curricular e que contou com a participação de todas as turmas de 1º ciclo do Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo.

NA CASA DO CAFÉ O DIA É DAS CRIANÇAS

O Centro de Ciência do Café (CCC) na Herdade das Argamassas, em Campo Maior, assinala hoje o Dia Mundial da Criança com atividades lúdicas e espetáculos a pensar nos mais novos. As atividades vão decorrer entre as 14h e as 19h. Neste dia as crianças terão à sua disposição insufláveis, uma pista de karts, discoteca, jogos radicais, uma oficina científica, pinturas faciais e a Oficina da Flor.

BEASTS OF NO NATION

Beasts of No Nation (2015, real. Cary Joji Fukunaga) “começa assim. O Nosso país está em guerra e não temos mais escola. Por isso, temos tido de arranjar forma de nos mantermos ocupados”, explica a personagem de Agu (Abraham Attah), logo na primeira cena deste filme, antes de tentar vender a carcaça da televisão do seu pai aos polícias e soldados nigerianos, como “uma tv de imaginação”, onde os amigos representam do outro lado. Estão numa zona neutra, protegida pelos soldados Nigerianos, que procuram manter a paz naquele oásis, dos horrores da guerra que se vivem à volta. Antes, o pai era professor, mas agora é o chefe da secção que ajuda os refugiados a arranjar espaço para viver. Agu vive feliz, e confessa-nos que “Deus gosta mais de música do que de conversa”. É rebelde, e o irmão chega a confessar-lhe que “tens sorte por haver guerra”, e a ironia está servida. Antes de a família ser separada, ao fugir perante a iminência da chegada e ocupação de tropas rebeldes. “É assim que começa”. “Deus, quando fecho os olhos, vejo a época das chuvas na minha aldeia. A terra é arrastada por baixo dos nossos pés. Nada é certo e está sempre tudo a mudar”.

ZOOTRÓPOLIS

Desde que os estúdios da Disney adquiriram a Pixar, tornando John Lasseter o Diretor Criativo de ambos, que o cinema de animação, infantojuvenil, e todas as propostas vindas de ambos, têm tomado um rumo cada vez mais delicioso, de filme para filme, e ao mesmo tempo surpreendente, numa mudança que começou com Bolt (2008, real. Byron Howard, Chris Williams). Uma das mudanças mais evidentes foi o investimento nos argumentos, e num processo criativo aberto à discussão de todos os guionistas e entre todos os projetos, simultaneamente. Em Zootrópolis (2016, real. Byron Howard, Rich Moore, Jared Bush) embora os animais regressem à tela para ser os protagonistas, tanto a história como o seu desenvolvimento e enredo conseguem surpreender-nos de forma positiva. O que já vai sendo habitual, estarmos perante um filme muito adulto, e até complexo, embrulhado numa pequena história, aparentemente infantil e de superação, mas que está muito mais focado na emancipação.

AXILAS

Este último filme do realizador português José Fonseca e Costa, terminado já depois de falecer, é, em boa parte, igual à forma de ser e estar do próprio realizador em toda a sua vida. A partir do conto homónimo de Rubem Fonseca, o realizador dá-nos uma adaptação humorística de forma livre, espontânea e corrosiva. Como homenagem a uma cidade e um país que estão a morrer, deambulamos pelas ruas da cidade de Lisboa, onde Lázaro de Jesus debulha um erotismo exótico, de um poeta incompreendido, inclusive pelos próprios amigos. Entre um copo e outro, uma tasca e outra, o filme começa e termina num cemitério, “dos Prazeres”, lembrando-nos do sarcasmo e ironia que a própria enquadra em todos os seus sentidos.

A BRUXA

Qualquer crença é tão perigosa quanto o desconhecimento. E é daí que a maioria delas surge. Começando a substituir-se, gradualmente, a qualquer forma de razão ou compreensão do mundo, por influência de um fanatismo, ou fé, incomensuráveis. Seja nos motivos divinos, como nos pecados e tentações do oculto. Embora comece por nos colocar no seio de uma família profundamente evangélica, de colonos ingleses nos EUA, em 1630, expulsos da sua comunidade devido às suas divergências religiosas, este filme recoloca-se essencialmente no papel do Homem, cuja própria ignorância, crenças ou maus julgamentos, são o seu maior inimigo.

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