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Cinema

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

Aquilo que muitos poderão descrever como “equilíbrio” completo de um grande filme, recheado de ação, coberto com um molho de drama e polvilhado de um tempero cómico, eu prefiro achar chamar de monocromático, liso, plano, flat. É verdade que, sobretudo dentro das sagas feitas pela Marvel Studios, pertencente à Walt Disney Pictures, este embate entre super-heróis é soberbamente interessante, e aqui consegue fugir a um simples desenrolar de pirotecnia e efeitos visuais digitalizados. Contudo, quando um filme se propõe a ser tudo pode acabar por não ser nada. Capitão América: Guerra Civil (2016, real. Anthony Russo, Joe Russo) é um filme que procura posicionar-nos entre as motivações de todos os heróis, cujo controlo dos seus superpoderes está em risco, evitando muito bem cair em maniqueísmos. Através de vários capítulos de vista de cada uma das personagens principais, percebemos que o equilíbrio dos argumentos advém não da sua tomada de posição, mas da responsabilidade árdua dos seus atos, mesmo quando procuram “fazer o bem”. Ainda assim, essa jornada épica de motivações e conflitos, resulta melhor quando assistimos previamente os restantes oito filmes.

MACBETH

Escrita há mais de 400 anos, “Macbeth” continua, entre outras peças e textos de William Shakespeare, a ser escrutinada e reinterpretada, quer no teatro como, neste caso, no cinema, com o filme homónimo “Macbeth” (2015 real. Justin Kurzel). Num ambiente sublime, sob a névoa do espírito humano, paira a incerteza gerada pelas nossas pulsões, desejos e forças. No campo de batalha nada faz tremer ou hesitar o punho e lâminas do general Macbeth (Michael Fassbender), ao defender o seu Rei e primo Duncan (David Thewlis), contra as tropas de Macdonwald apoiadas pela Noruega e Irlanda. No final, sobre o manto de sangue que jorra sobre o campo, Macbeth e o seu amigo Banquo (Paddy Considine) são surpreendidos por três bruxas, ou oráculos, que já antes tinham aparecido, que lançam sobre eles duas profecias: um seria rei, o ouro pai de muitos reis.

A JUVENTUDE

Este filme de Paolo Sorrentino, “A Juventude” (2015), é um retrato poético sobre a vida, ilustrado pela melodia dos sentimentos, ao ritmo dos desejos, onde são auscultados todos os recantos da filosofia, através da profundidade da resiliência preenchida pelo tempo, pelas memórias e pelos sentidos. Começa e termina com uma música. Começa com o apelo à juventude, e termina com o sabor da consciência plena, nas lágrimas de um coração que chora através de uma composição musical, de amor. E que segue no encontro intemporal entre a juventude que olha para o futuro, e a velhice, longe do passado. Um poema, cuja simplicidade pode ser encontrada logo no primeiro refrão, quando “The Retrosettes” se interpretam a si mesmos numa esplanada de um Hotel nos Alpes suíços, ou na natureza singular da humanidade, pelo desejo de viver.

BATMAN V SUPER-HOMEM: O DESPERTAR DA JUSTIÇA

Recebeu péssimas críticas (mas não só), teve uma queda brutal e acentuada na segunda semana de exibição, gerou imensas polémicas, e está a levar até à alteração de datas e re-filmagens de outros filmes da Warner Bros, e do universo de super-heróis da DC Comics no Cinema. Mas parece que o único e verdadeiro problema de “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça” (2016, real. Zack Snyder) é demonstrar uma verdadeira preocupação e cuidado em ser um filme, e por isso recorrer, não só, à metáfora estética, como à poesia e inventividade capazes de gerar emoções, através das histórias e das imagens. Aquilo que a maioria hoje considera um defeito neste filme, será o que um dia o trará à tona no meio de tantos filmes de super-heróis que, além de mal realizados, não nos oferecem nenhuma discussão paradoxal. No fundo, a polarização, afinal, inexistente na história, passou para fora das telas, dividindo opiniões. O que faz com que o enredo desta história sirva como um espelho, ou um quadro de Doryan Gray, no qual os espectadores não gostam de se rever. Mas onde a arte sai beneficiada.

SPOTLIGHT

O filme O Caso Spotlight (2015, real. Tom McCarthy) não nos conta uma história nova, no sentido do desconhecido. Não nos conta essa história sob uma perspetiva estética inovadora, muito pelo contrário, é bastante conservador no que respeita à linguagem cinematográfica. No entanto, ao ser um filme que conta uma história verídica tão dolorosa, e tão difícil, que se subdivide em outras três histórias e conflitos, essa opção pela seriedade e rigidez são o seu ponto mais forte. Aliás, é por isso que surpreendeu imensa gente, ao recuperar dos grandes clássicos cinematográficos uma forma de filmar que nos ilude com uma hipotética simplicidade, sob a qual se esconde a capacidade de nos contar uma história inteiramente através dos seus personagens, dos diálogos, das emoções e da curiosidade de quem, como espectador através da câmara, os segue em cada ação.

NOVO FILME DE TRÉFAUT RODADO EM BEJA

O realizador Sérgio Tréfaut - nascido em São Paulo (Brasil) – está a filmar em Beja o seu próximo filme “Seara de Vento”, baseado na obra do alentejano Manuel da Fonseca, escrita em 1958.

O realizador Sérgio Tréfaut – que tem também as nacionalidades francesa e portuguesa – ficou mais conhecido recentemente por ter sido o autor de “Alentejo, Alentejo”, o documentário sobre o Cante e o Alentejo e que serviu de fator promotor do Cante Alentejano a Património Mundial da UNESCO.

QUARTO

O pequenino Jack, interpretado de forma soberba e arrebatadora por Jacob Tremblay, faz cinco anos, e começa agora a compreender o mundo. No mundo há duas cadeiras, uma mesa, uma aranha, uma pia e uma sanita, uma cama, uma clarabóia e uma televisão. Mas os monstros, e os oceanos, são demasiado grandes para caber no mundo. Para lá das quatro paredes do “quarto” é o espaço sideral e os outros planetas. Existe a Ma/Joy, a sua mãe, e ele, ambos são reais. Mas o seu cachorro é um desenho imaginário, e os alimentos e vitaminas vêm da televisão, de onde o Velho Nick os consegue tirar com magia. Jack não sabe ainda se o Velho Nick é real ou não, por entre as persianas do armário onde dorme. Até ao momento em que o vê agredir Ma.

CAROL

Talvez seja através das coisas mais simples que conseguimos chegar ao âmago das questões mais complexas que existem. A cena inicial de “Carol” (2015, real. Todd Haynes) começa por nos guiar através do tema que será explorado ao longo de todo o filme. Começamos na ambiência de rua, entre os anos 50, de noite, a neblina e o fumo de um cidade movimentada, a câmara persegue um homem de gabardine e chapéu, que entra num restaurante e vê duas mulheres a conversar. Sem hesitar grita o nome de uma delas, “Therese!”, a que está de costas e acaba por se virar incomodada, aproxima-se, fala dos planos que tem para essa noite, em casa de um amigo comum, e em como lhe poderá dar boleia. Define o plano e ela é obrigada a aceitar, incapaz de recusar perante a determinação e à vontade do homem que permanece de pé sem cumprimentar a outra mulher. Carol levanta-se, despede-se e incentiva-a a ir à festa e a cena corta quando Therese se levanta, para a mostrar já dentro do carro, de onde vê Carol caminhar ao lado de outro homem na rua. Este é um filme em que, mais do que retratar o amor e paixão de duas mulheres, reforça o “falocentrismo” de uma sociedade que permanece (ainda hoje) vivo, sob o duplo pressuposto errado: não só as mulheres são diferentes dos homens, isto é, inferiores, como qualquer gay ou lésbica tem um distúrbio moral e psiquiátrico inaceitável e passível de tratamento.

ÉVORA: FESTIVAL INÉDITO QUER ENTRAR-LHE EM CASA

O Festival CONDOMÍNIO, já com seis edições em Lisboa, arrisca agora a sua primeira edição em Évora. A 16 e a 17 de Abril a cidade envolve-se num conceito cultural novo e que acontece em sua casa. Surpreendido?

REALIZAÇÃO, COMO FAZER BEM COM POUCO?

O IPBeja, está a organizar uma conferência sobre o papel do realizador. A Conferência "realiza-se" amanhã, dia 26 de novembro, pelas 15h, no Auditório da Escola Superior te Tecnologia e Gestão de Beja e conta com a participação do realizador português Ricardo Espiríto Santo.

Em debate estarão essencialmente o papel do realizador, a carreira, o seu reconhecimento, os orçamentos e a quantidade versus a qualidade.

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