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Cinema

A JUVENTUDE

Este filme de Paolo Sorrentino, “A Juventude” (2015), é um retrato poético sobre a vida, ilustrado pela melodia dos sentimentos, ao ritmo dos desejos, onde são auscultados todos os recantos da filosofia, através da profundidade da resiliência preenchida pelo tempo, pelas memórias e pelos sentidos. Começa e termina com uma música. Começa com o apelo à juventude, e termina com o sabor da consciência plena, nas lágrimas de um coração que chora através de uma composição musical, de amor. E que segue no encontro intemporal entre a juventude que olha para o futuro, e a velhice, longe do passado. Um poema, cuja simplicidade pode ser encontrada logo no primeiro refrão, quando “The Retrosettes” se interpretam a si mesmos numa esplanada de um Hotel nos Alpes suíços, ou na natureza singular da humanidade, pelo desejo de viver.

BATMAN V SUPER-HOMEM: O DESPERTAR DA JUSTIÇA

Recebeu péssimas críticas (mas não só), teve uma queda brutal e acentuada na segunda semana de exibição, gerou imensas polémicas, e está a levar até à alteração de datas e re-filmagens de outros filmes da Warner Bros, e do universo de super-heróis da DC Comics no Cinema. Mas parece que o único e verdadeiro problema de “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça” (2016, real. Zack Snyder) é demonstrar uma verdadeira preocupação e cuidado em ser um filme, e por isso recorrer, não só, à metáfora estética, como à poesia e inventividade capazes de gerar emoções, através das histórias e das imagens. Aquilo que a maioria hoje considera um defeito neste filme, será o que um dia o trará à tona no meio de tantos filmes de super-heróis que, além de mal realizados, não nos oferecem nenhuma discussão paradoxal. No fundo, a polarização, afinal, inexistente na história, passou para fora das telas, dividindo opiniões. O que faz com que o enredo desta história sirva como um espelho, ou um quadro de Doryan Gray, no qual os espectadores não gostam de se rever. Mas onde a arte sai beneficiada.

SPOTLIGHT

O filme O Caso Spotlight (2015, real. Tom McCarthy) não nos conta uma história nova, no sentido do desconhecido. Não nos conta essa história sob uma perspetiva estética inovadora, muito pelo contrário, é bastante conservador no que respeita à linguagem cinematográfica. No entanto, ao ser um filme que conta uma história verídica tão dolorosa, e tão difícil, que se subdivide em outras três histórias e conflitos, essa opção pela seriedade e rigidez são o seu ponto mais forte. Aliás, é por isso que surpreendeu imensa gente, ao recuperar dos grandes clássicos cinematográficos uma forma de filmar que nos ilude com uma hipotética simplicidade, sob a qual se esconde a capacidade de nos contar uma história inteiramente através dos seus personagens, dos diálogos, das emoções e da curiosidade de quem, como espectador através da câmara, os segue em cada ação.

NOVO FILME DE TRÉFAUT RODADO EM BEJA

O realizador Sérgio Tréfaut - nascido em São Paulo (Brasil) – está a filmar em Beja o seu próximo filme “Seara de Vento”, baseado na obra do alentejano Manuel da Fonseca, escrita em 1958.

O realizador Sérgio Tréfaut – que tem também as nacionalidades francesa e portuguesa – ficou mais conhecido recentemente por ter sido o autor de “Alentejo, Alentejo”, o documentário sobre o Cante e o Alentejo e que serviu de fator promotor do Cante Alentejano a Património Mundial da UNESCO.

QUARTO

O pequenino Jack, interpretado de forma soberba e arrebatadora por Jacob Tremblay, faz cinco anos, e começa agora a compreender o mundo. No mundo há duas cadeiras, uma mesa, uma aranha, uma pia e uma sanita, uma cama, uma clarabóia e uma televisão. Mas os monstros, e os oceanos, são demasiado grandes para caber no mundo. Para lá das quatro paredes do “quarto” é o espaço sideral e os outros planetas. Existe a Ma/Joy, a sua mãe, e ele, ambos são reais. Mas o seu cachorro é um desenho imaginário, e os alimentos e vitaminas vêm da televisão, de onde o Velho Nick os consegue tirar com magia. Jack não sabe ainda se o Velho Nick é real ou não, por entre as persianas do armário onde dorme. Até ao momento em que o vê agredir Ma.

CAROL

Talvez seja através das coisas mais simples que conseguimos chegar ao âmago das questões mais complexas que existem. A cena inicial de “Carol” (2015, real. Todd Haynes) começa por nos guiar através do tema que será explorado ao longo de todo o filme. Começamos na ambiência de rua, entre os anos 50, de noite, a neblina e o fumo de um cidade movimentada, a câmara persegue um homem de gabardine e chapéu, que entra num restaurante e vê duas mulheres a conversar. Sem hesitar grita o nome de uma delas, “Therese!”, a que está de costas e acaba por se virar incomodada, aproxima-se, fala dos planos que tem para essa noite, em casa de um amigo comum, e em como lhe poderá dar boleia. Define o plano e ela é obrigada a aceitar, incapaz de recusar perante a determinação e à vontade do homem que permanece de pé sem cumprimentar a outra mulher. Carol levanta-se, despede-se e incentiva-a a ir à festa e a cena corta quando Therese se levanta, para a mostrar já dentro do carro, de onde vê Carol caminhar ao lado de outro homem na rua. Este é um filme em que, mais do que retratar o amor e paixão de duas mulheres, reforça o “falocentrismo” de uma sociedade que permanece (ainda hoje) vivo, sob o duplo pressuposto errado: não só as mulheres são diferentes dos homens, isto é, inferiores, como qualquer gay ou lésbica tem um distúrbio moral e psiquiátrico inaceitável e passível de tratamento.

ÉVORA: FESTIVAL INÉDITO QUER ENTRAR-LHE EM CASA

O Festival CONDOMÍNIO, já com seis edições em Lisboa, arrisca agora a sua primeira edição em Évora. A 16 e a 17 de Abril a cidade envolve-se num conceito cultural novo e que acontece em sua casa. Surpreendido?

REALIZAÇÃO, COMO FAZER BEM COM POUCO?

O IPBeja, está a organizar uma conferência sobre o papel do realizador. A Conferência "realiza-se" amanhã, dia 26 de novembro, pelas 15h, no Auditório da Escola Superior te Tecnologia e Gestão de Beja e conta com a participação do realizador português Ricardo Espiríto Santo.

Em debate estarão essencialmente o papel do realizador, a carreira, o seu reconhecimento, os orçamentos e a quantidade versus a qualidade.

FESTA DO CINEMA FRANCÊS EM BEJA

A Festa do Cinema Francês chega a Beja, de 17 a 22 de Novembro, naquela que será a sua 16ª edição. As sessões estão marcadas para as 21h30, no Pax Julia Teatro Municipal e têm o apoio da Embaixada de França, o Institut Français du Portugal e a Alliance Française.

 

ARQUITETURAS FILM FESTIVAL 2015 EM ÉVORA

Évora vai receber os filmes premiados do Arquiteturas Film Festival 2015 nas categorias Melhor Filme Internacional, Melhor Filme Nacional-Curta, Melhor Filme Internacional-Curta, Prémio do Público e Prémio Lusofonia.

Acontecerá a 22 e 23 de Outubro de 2015, e transforma Évora no circuito itinerante da 3ª edição deste festival, que tem por tema 'Welcome to the Future', "contendo a promessa de várias incursões a lugares imaginados e diferentes visões do futuro".

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