24 Março 2016      15:14

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INOVAÇÃO SOCIAL NO ALENTEJO: TRÊS MARCOS NA SUA HISTÓRIA RECENTE

No início de 2015 o IES – Social Business School apresentava os primeiros dados do Mapa de Inovação e Empreendedorismos Social (MIES), com especial enfoque na região do Norte, Centro e Alentejo.

No Alentejo, através desta metodologia, tinham acabado de ser identificadas mais de 1289 iniciativas com elevado potencial de inovação social, das quais 716 foram validadas, 119 aprofundadamente estudadas e 29 reconhecidas como Iniciativa de Alto Potencial em Inovação e Empreendedorismo Social, obtendo o selo ES+. Este enorme esforço de rastreio, validação, compreensão e divulgação do poder de inovação social no Alentejo nunca assim tinha sido realizado na região, tendo animado (e legitimado) fortemente os atores locais que durante anos procuraram encontrar novas soluções para alguns problemas sociais no Alentejo.

Poder-se-á dizer que desde o início da década de 90, com a implementação do Programa de Iniciativa Comunitária (PIC) LEADER: Ligação Entre Ações de Desenvolvimento da Economia Rural, estes e outros empreendedores desenhavam novas soluções sociais, sendo as mesmas testadas, apoiadas, disseminadas e por vezes institucionalizadas como política publica. O PIC LEADER, com os princípios da subsidiariedade, da participação, de abordagem bottom-up e multissectorial, da inovação, e com um flexível e considerável envelope financeiro, estimulou o desenho e conceção de muitas soluções inovadoras de base local. Os seus sucedâneos LEADER II e LEADER +, com igual poder de transformação, (pese embora a ultima geração tenha sido menos flexível) abrangeram uma maior área territorial e continuaram a apoiar iniciativas com perfil inovador. No Alentejo, as Associações de Desenvolvimento Local que lideraram a implementação desta Programa, apostaram sobretudo na relação com a comunidade, em projetos imateriais e de animação territorial. Foram muitos os projetos inovadores que daqui surgiram, como a formação e dinamização de uma Rede de Amas, Centros de Formação rural, serviços de proximidade social, entre muitos outros.

No início dos anos 2000 surge a Iniciativa Comunitária EQUAL, que se constitui como um “laboratório permanente de experimentação” que permitiu “elaborar e divulgar novas abordagens de aplicação das políticas de emprego”, tendo como objetivo que “a prazo, as soluções inovadoras que provem a sua eficácia sejam divulgadas às autoridades políticas e de gestão responsáveis com vista à sua integração”. Segundo Ana Vale, a sua Coordenadora, esta iniciativa “nasceu do reconhecimento da necessidade de renovar e conferir maior eficácia às políticas públicas, para responder a problemas sociais emergentes”. Foi um programa com um impacto regional, e nacional, fortíssimo, nomeadamente ao nível da qualificação e empowerment dos atores locais, no reforço de parcerias, na estruturação, gestão e disseminação das soluções propostas. Hoje, várias soluções inovadoras, validadas à época por peritos organizados em redes temáticas, que ainda perduram com assinalável êxito, como o PROVE, o Emprego Apoiado, a Orquestra Geração, o Voluntariado de Proximidade, entre outros.

Sem prejuízo de muitas outras iniciativas e programas de apoio, nacional ou comunitário, - como o NOW, o INTEGRAR, o PIPPLEA, o POEFDS e outros – que estimularam iniciativas de empreendedorismo e inovação social, considero que estas duas terão sido as mais marcantes na nossa região, pela sua abrangência, pelo seu impacto e pelo seu poder transformador.

Em Dezembro de 2014, é criada a iniciativa Portugal Inovação Social, liderada pelo Professor Filipe Santos (INSEAD, IES-SBS). Com a criação desta Estrutura de Missão, são alocados 150 milhões de euros de fundos estruturais para a promoção da inovação social em Portugal, com especial foco nas regiões do Norte, Centro e Alentejo, onde foram constituídos Polos Regionais de Inovação Social.

A Portugal Inovação Social, de acordo com a Resolução do Conselho de Ministros n.º 73-A/2014, pretende “promover o empreendedorismo e a inovação social em Portugal, como forma de gerar novas soluções, numa lógica complementar às respostas tradicionais, para a resolução de importantes problemas societais; b) Dinamizar o mercado de investimento social, criando instrumentos de financiamento mais adequados às necessidades específicas do setor da economia social e dos projetos de inovação e empreendedorismo social; c) Capacitar os atores do sistema de inovação e empreendedorismo social em Portugal, melhorando os níveis de resposta das entidades da economia social e contribuindo para a sua sustentabilidade económica e financeira.”

Acredito, sinceramente, que a iniciativa Portugal Inovação Social possa vir a ser, à imagem do PIC LEADER e da IC EQUAL, uma iniciativa que marque positiva e decisivamente os atores da inovação social no Alentejo, conferindo-lhes maiores competências, sustentabilidade, impacto e escala. O Alentejo tem de ser capaz de aproveitar na íntegra esta oportunidade.

Imagem de capa daqui.

 

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