15 Março 2017      11:17

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DEZ ANOS A MARCAR PASSO

No período de 2008 a 2014, cerca de dois biliões de euros do dinheiro dos contribuintes da União Europeia foram aplicados no auxílio estatal ao sector financeiro. Presentemente, comprova-se que o resultado da estratégia de socorro financeiro decidida pela União Europeia, e em particular pelos países da zona euro, deu origem, não só, a graves dificuldades sociais como, também, marcou o início de um processo favorável à descredibilização do modelo social europeu, ainda assim, a crise financeira não ficou resolvida.

Portanto, no contexto atual, o resultado é o que seria de esperar: esta Europa arrasta perigos, divergências, desigualdades e injustiça social. Esta Europa já não é o centro de gravidade do mundo.

Talvez, por isso, seja atualmente questionável a complexidade do sistema político europeu que afeta milhões de cidadãos de diferentes países, englobando diferentes línguas e diferentes culturas. Não se pode construir uma União Europeia sem uma forte ligação à vontade dos cidadãos. As possíveis soluções têm de envolver as instituições da União Europeia, as instituições dos Estados-membros e os cidadãos europeus. Não basta parecer, os cidadãos têm de se sentir europeus.

Por enquanto, parece-me claro que, em grande medida, o debate público está reduzido à resolução da prolongada crise bancária, monetária e da dívida, perdendo de vista a dimensão social do projeto político europeu.

Tal como está, o modelo de desenvolvimento desta Europa esvaziou! E, atualmente, enfrenta várias tendências estruturais e desafios conhecidos e evidentes, tais como: a globalização, a alteração demográfica, a alteração climática, a limitação dos recursos naturais, o crescimento sustentável, a transição energética e a transição para uma economia ecológica.

A experiência da última década e meia demonstrou que os persistentes desequilíbrios em um ou mais Estados-membros podem comprometer toda a estabilidade do projeto europeu.

Porém, esta é a Europa dos chavões políticos que não desenvolve os meios necessários para a obtenção de resultados concretos e que apenas manifesta a sua preocupação diante das crises que atravessa e dos problemas que enfrenta. E, há muito que a frustração e preocupação se apoderou dos cidadãos, especialmente, no que respeita à incerteza em relação às perspetivas de vida, ao aumento das desigualdades e à falta de oportunidades, em particular no caso dos jovens.

A fim de corresponder às expectativas dos cidadãos, seria fundamental que a União Europeia encontrasse o seu rumo e a sua inspiração nas pessoas, reforçando a coesão e a solidariedade, garantindo uma proteção social adequada e reduzindo as desigualdades, permitindo a realização de progressos há muito aguardados a nível da redução da pobreza e da exclusão social.

Ouso afirmar que todos queremos uma União Europeia fortemente comprometida em desenvolver um modelo social europeu que respeite os objetivos e direitos estabelecidos nos Tratados da UE, na Carta dos Direitos Fundamentais e na Carta Social Europeia.

O projeto Europeu só emperrou quando as pessoas deixaram de ser o elemento mais importante de construção.

Imagem de manifestação na Grécia, da Reuters.

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