20 Julho 2016      20:22

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O NOME: UMA QUESTÃO DE ATITUDE

Estreio-me nesta crónica, num meio de comunicação que aprecio e respeito, com um tema essencialmente pessoal e que terá como função apresentar-me aos leitores. Os quais descanso, desde já, dado que este será o primeiro e provavelmente o último artigo de natureza pessoal e particular. No entanto este artigo tem uma marca importante: assino, pela primeira vez, um título de opinião como Tiago Teotónio Pereira e demorei quase 30 anos para o fazer.

Todos nós somos aquilo que trabalhamos e escolhemos ser. Foi com base neste preceito que o meu pai há anos atrás, convicto desta dura realidade a que todos chamamos Vida, decidiu não colocar à minha irmã e a mim o apelido Teotónio. Passei então a ser conhecido pelo “Tiago sem Teotónio no nome” no círculo mais chegado e para os demais Tiago Pereira, apenas e só, tal como sou e gosto de ser conhecido.

Na verdade, sempre percebi o facto de nos ter eliminado o apelido Teotónio e nunca, tanto como hoje, isso me fez tanto sentido. Como ele bem conta, foi durante a sua adolescência e juventude vítima de discriminação positiva ou negativa à conta do seu apelido, consoante a ocasião e o contexto. Pois bem, nomes como Pedro Teotónio Pereira ou do seu Pai (meu avô) Nuno Teotónio Pereira tinham contribuído decisivamente para este desfecho. Olhar e trabalhar na vida e na comunidade sem que o nome ou apelido atrapalhe e baralhe os nossos papéis – acho que foi algo próximo disto que o nosso pai pensou nessa altura.

Ainda sobre a história do nome, não fui o primeiro a mudar o apelido na família, também o meu avô foi o primeiro a abolir o “H” do Teotónio, tendo à altura provocado um caso familiar; no entanto toda a família anos mais tarde acompanhou esta tendência. Por isso já que esta coisa da mudança de nome na família não era uma novidade, arrisquei e tentei dar o meu contributo.

No entanto, tudo tem uma razão de ser no decurso do nosso caminho e o mudar o nosso nome tem uma explicação ininteligível. Acrescentar um apelido ao nosso nome não nos muda, nem nos transforma, e também não nos define mas pode significar um tributo, uma homenagem, um humilde reconhecimento. Foi isso mesmo que decidi fazer para gravar para a posteridade o reconhecimento sincero e franco pela vida e obra do meu avô Nuno. Para além de ser uma homenagem a toda a família, à minha Terra – Marvão e a todas as pessoas que gostavam do meu avô, é, sem dúvida, um grande reconhecimento e em certa medida um ato de justiça com uma pessoa que me pediu tantas vezes para “corrigir o nome”. Esta foi a primeira coisa que decidi fazer após o seu falecimento e não estou nada arrependido – sinal disso mesmo é esta sentida crónica.

Como resume bem Ana Sousa Dias o meu avô Nuno era “O homem que gostava das pessoas tal como elas são”. Para além deste gesto em forma de homenagem, tenho uma outra grande responsabilidade, continuar a ser aquilo que sempre fui. Como todos nós.

Desculpem o desabafo. Até à próxima.

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