20 Abril 2016      19:33

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ALENTEJO (DESPRO)MOVIDO

"PURA IDIOSSINCRASIA"

“Não se nasce alentejano, é-se alentejano” é uma expressão que certamente define parte daquilo que tem sido a minha passagem por este percurso efémero a que denominamos de vida.

Durante o meu percurso pessoal foram várias as zonas geográficas pelas quais fui passando, vivendo quase a um estilo nómada porém por períodos de tempo relativamente mais longos do que o tradicional e comum nómada habitualmente faria. As questões de vivência pessoal fizeram-me transitar entre o local onde nasci (Algarve) e a zona pela qual tenho neste momento uma maior ligação de afecto muito pelo meu percurso académico e pelas minhas ligações de afeto (Alentejo).

Diz-se por aí que um certo rapaz, também ele jovem, escreveu algumas teorias conceptuais sobre o Alentejo nas quais eu não me revejo de todo. Teorias que definiam o alentejano na sua essência como um ser desconfiado e com reacção natural ao suicídio. A primeira premissa eu sou capaz de perceber na medida em que seja uma dificuldade de percepção que possa ter sido desenvolvida pela análise do autor de uma amostra que não representava a generalidade da população, acabando por provocar o efeito de tomar a parte pelo todo. A segunda parte penso que não merece qualquer tipo de comentário sequer pois torna-se até de certa forma ridícula. Nenhum ser humano na sua perfeita normalidade toma o suicídio como algo natural. Não é uma questão geográfica, nem geracional, é simplesmente descabido.

A minha passagem e presença pelo Alentejo deve-se muito ao que foi e ao que é o meu percurso académico pela Universidade de Évora. Criei laços de amizade, laços afectuosos e laços até familiares com muitos alentejanos. Tornei-me assim alentejano. Se hoje me perguntarem como me sinto em maioria, certamente a balança penderá para o Alentejo. No Alentejo conheci pessoas integras, pessoas honestas, humildes, dignas e respeitosas. Mas mais do que isso conheci e vi de perto o esforço e a dedicação. Vi a vontade de lutar, de fazer vingar o território, vi o amor pelo interior, a paixão pelos campos, a dedicação pelo trabalho e a força interminável de demonstrar que o interior é tanto ou mais capaz como o é o litoral.

As críticas descrevidas no livro “Alentejo Prometido” tiveram a capacidade de realçar várias características do Alentejo e do povo alentejano. Porém na sua essência demonstraram a união do povo Alentejo em batalhar contra estas blasfémias. Fizeram com que fosse visível o amor dos alentejanos pelas suas terras bem como o seu orgulho pela sua personalidade. Um livro que tinha com objectivo do seu autor de revelar alguns defeitos da população alentejana fez o trabalho inverso, demonstrando mais uma vez o sentido de pertença que o povo alentejano tem pelas suas origens e história, bem com revelou a característica trabalhadora desse povo. O povo alentejano sempre foi lutador e conquistou os seus direitos com legitimidade. Sempre lutou e nunca se deixou ficar à sombra, porque essa no Alentejo é escassa.

 

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