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Síria

O arrancar de mais uma Guerra

Este fim-de-semana o Mundo acordou com a notícia do ataque coordenado dos EUA, do Reino Unido e de França na Síria, sendo este ataque apresentado como resposta ao ataque com armas químicas que foi ordenado por Bashar Al Asad e vitimou centenas de inocentes.

Muitas vozes já vieram afirmar e com alguma razão, que por detrás deste ataque está uma tentativa de fazer frente à Rússia na questão do Médio Oriente.

Em tempos falei nestas crónicas do perigo que seria ter Donald Trump a coordenar operações militares.

Enquanto andamos distraídos

Enquanto andamos distraídos com polémicas online sobre plágios, uma criança morre na síria. Enquanto nos queixamos da chuva, uma mãe perde um filho. Enquanto lamentamos o trabalho que temos e não nos deixa respirar, uma irmã vê o seu irmão morrer-lhe nos braços.

Enquanto planeamos a próxima viagem, famílias inteiras planeiam uma forma de conseguirem sobreviver aos próximos bombardeamentos.

Não, não é na Europa mas estas famílias também precisam que orem por elas. Também precisam que alguém se junte a elas e diga basta.

RODJA: SINÓNIMO DE LIBERDADE

Foi há poucos dias que conheci o significado do nome de Rojda Felat.

Defensora das liberdades perdidas, merece que dediquemos alguns minutos, para melhor a conhecermos.

Mulher de origem curda, comandante das Forças Democráticas da Síria (FDS), exército de mais de 10 mil homens e mulheres, chefiou a tomada de Raqqa ao Daesh. Com cerca de 37 anos, combatente pela liberdade e representante das mulheres livres, aparece-nos sem o lenço a cobrir a cabeça e trajando uniforme militar. É “apenas” uma muçulmana livre.

SO IT BEGINS

Esta semana Donald Trump, ao que parece com aviso prévio às forças armadas russas, ordenou um ataque contra uma base Síria.

Usou dois argumentos. O primeiro já anteriormente conhecido em outras guerras. O da existência de armas químicas na base que foi atacada. O segundo um pouco mais inusitado para uma figura como Donald Trump.

O Presidente dos EUA veio justificar o ataque com o facto de ter sido confrontado com as fotografias das crianças que foram mortas pelo ataque sírio com recurso a armas químicas.

NO INÍCIO DE UM NOVO ANO

Findo o ano de 2016, cabe a já habitual retrospectiva.

2016 trouxe-nos a certeza que a esquerda, afinal, é capaz de se unir quando é preciso levar o País para a frente e mudar o rumo e a política desenvolvida até determinado ponto.

Trouxe-nos um Presidente da República que mostrou uma nova faceta que, em certos aspectos, poderá ser exagerada. Mostrou a faceta da proximidade e da participação junto da comunidade.

Mal ou bem, Marcelo Rebelo de Sousa já pautou pela diferença relativamente aos seus antecessores.

E SE ALEPO FOSSE AQUI?

Ninguém que conheça uma criança deve passar sem se deter nesta imagem.

Quem é? Onde é? O que fez? Nenhuma das respostas a estas perguntas justificará a imagem que vê.

Centenas de imagens e vídeos foram libertadas e partilhadas por pessoas prestes a morrer durante a “tomada de Alepo”. Guardo um vídeo em especial, pelas semelhanças comigo, o vídeo de Abdulkafi Alhamdo, pai, professor, jornalista e ativista – rebelde aos olhos do regime.

SILÊNCIO

Na semana passada, enquanto se preparava a crónica semanal, chegou a todos nós a notícia dos atentados de Paris.

Naquela hora, por muito que tentasse, as palavras faltaram perante o choque de um ataque bem no coração de Paris.

Ainda hoje, ao ouvir todos os relatos de sobreviventes, é difícil não engolir em seco perante tamanho acto de terrorrismo.

Talvez ainda mais do que se esperava, tendo em conta exemplos bem recentes, a Europa acordou para o risco de ataques terroristas eminentes.

OS ABUTRES CERCANDO O REBANHO

Esta desafortunada metáfora recorda o drama dos refugiados que tão recentemente tem fustigado a Europa. E apesar de todo o rebanho de refugiados sírios e emigrantes de outros países do Médio Oriente que atravessaram a Síria, terem fugido dos predadores chamados Estado Islâmico, a Europa, o seu oásis, o seu refúgio, ao contrário do expectável, não lhes abriu as portas. Este cantinho do Mundo reconhecido como tolerante, aberto, democrata, solidário, o seu porto de abrigo, esqueceu os seus valores de humanidade e civilidade que tinha arreganhado no pós IIª Guerra Mundial.

UM SÍRIO AQUI AO LADO

À medida que refugiados sírios estão mais próximos de Portugal, mais têm sido as vozes contra que se têm levantado contra esta vinda.

Ao seu lado já vivem sírios; mais que o que possam imaginar, mas hoje falámos de dois casos específicos. Um, Mohammed Al-Wattar, que vive em Badajoz (Espanha) a escassos quilómetros da fronteira portuguesa. E mais, tem 50 anos e já lá vive desde os 18 anos.

PORQUÊ É QUE OS SÍRIOS NÃO FICAM NA ARÁBIA?

Muitos se têm manifestado quer em críticas à Europa por não receber mais e melhor os intérpretes desta crise migratória, e outros, em posição oposta, e que contrapõem com a vinda de terroristas nestas vagas, fazem ressurgir a intenção real do Estado Islâmico em conquistar a Península Ibéria (o “Al-Andaluz”) e questionam: porque é que os sírios não procuram ajuda nos países árabes vizinhos do Golfo Pérsico?

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