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Jorge Branquinho

Badlands - opus 1 de Terrence Malick

Ou a Balada Tranquila no Inferno.

Terrence Malick dirigiu dois filmes nos anos 70 do século passado e depois desapareceu durante 20 anos. Duas obras-primas absolutas: Badlands (1973) e Days of Heaven (1978).

Detestava as luzes da ribalta (a mundanidade) ao mesmo tempo que pretendia criar uma relação especial (e, sim, mitológica) com a natureza.

Citadel - a 2ª canção da indiscutível obra-prima dos Rolling Stones

Citadel - 2ª canção do lado A de Their Satanic Majesties Request, a indiscutível obra-prima dos Stones

Lolly-Madonna XXX (1973)

Qualquer um reconhecerá que Richard C. Sarafian não é lá grande nome para quem quer vingar num lugar tão dissimuladamente selecto (ou será o inverso?) como Hollywood, mas não foi por isso que a carreira de Sarafian, apesar de longa e…farta, foi actor e realizador entre 1956 e 2007, não chegou verdadeiramente a despontar.

Ainda assim, o realizador importa muito mais do que o actor, pelo que o período a fixar é o de 1962-1990.

A breve ascensão dos Zés Ninguéns - They Live

“One of the lost masterpieces of the Hollywood left”, mais coisa menos coisa, é desta forma que Zizek começa o pequeno trecho sobre They Live (1988), de John Carpenter, no seu último documentário sobre cinema, The Pervert’s Guide to Ideology.

Orson Welles - o homem das margens no meio de um filme...

Famoso pelas entradas e saídas de cena – mais pelas entradas, verdadeiros esplendores onde a militância artística (jogo de expectativas para com o espectador ideal) exercitava competências em plena consonância com um aspecto físico que remetia para os portentos da mitologia pagã –, Orson Welles era também um actor fabuloso.

Notas sobre o cinema mudo

1 - Der Leztze Mann (1924, F.W. Murnau): A insustentável leveza de um corpo despido da farda

Ou o fardo do infinitésimo descaracterizado

Ou a aterradora consciência do quase vazio do limite inferior (incrivelmente denso)

Ou o realizador como um três de três: mestre-de-cerimónias, deus farsante e regulador da experiência

Ou, ainda, o filme que definiu a modernidade.

 

2 - O Cinema-Olho de Dziga Vertov, O Homem da Câmara de Filmar (1929):

It follows

Vai seguir-te, jovem – a não ser que te mantenhas virgem, ou, se já em falta, ao menos te abstenhas …

Dear God - deus e amor não correspondido

Dear God,

Uma canção de amor não-correspondido pelos bamboleantes XTC:

“Dear God, hope you got the letter and...

I pray you can make it better down here

I don't mean a big reduction in the price of beer

But all the people that you made in your image

See them starving on their feet

Cause they don't get enough to eat from

God

I can't believe in you”

Ou

Maximus Welles Magnum Opus (ou o Filme Sobre Tudo)

The Other Side of the Wind é, tão-só, tão simplesmente, um dos dois-três-quatro filmes mais importantes da história do cinema. Não há outra forma de começar. E registe-se que tentámos.

Orson Welles terminou as atribuladas filmagens de The Other Side of the Wind em 1976 (haviam começado em 1970), e nele deixou de trabalhar definitivamente no início dos anos 80, com pouco mais de 40 minutos editados. Ficou pronto em 2018, terminado por outros (com Peter Bogdanovich, também actor no filme, à cabeça).

Pela arte do desencanto, i.e., pelo desencanto na arte.

Observar o mundo, a multitude de formas de uma multitude de formas, é estranhamente o exercício mais simples. Tão simples que magoa ter começar assim. Como tem de começar.

Processo centrípeto em torno de um motor de explosão autodefinido como racional, como tal, necessita devolução. É quando as coisas se começam a tornar interessantes. Enfim, quase sempre, pode-se viver escondido ou usar uma máscara – e esses não importam.

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