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Jorge Branquinho

Nos domínios da loucura… perdão, da perfeição.

John McEnroe – No Domínio da Perfeição (2018), Julien Faraut –

Les Yeux Sans Visage

Les Yeux Sans Visage (1960), de Georges Franju - Que os olhos mais tristes do mundo não tenham rosto parece o mais congruente dos princípios, dado o superlativo em causa, que aniquila tudo o resto. Tal como o que se segue: os olhos mais tristes, absorvidos por um extremo, não podem, muito naturalmente, deixar de ser absolutos na sua consequência – (na perspectiva do observador) são pontos de luz que uma vez descodificados, se tornam em poesia cristalina e estelar, devastadora.

I Won’t Stand You Down Kevin Rowlands

1982/1983 – Depois do extraordinário sucesso de Too-Rye-Ay, o segundo álbum de estúdio dos Dexys Midnight Runners e também o título de Long Play mais selvagem e irredutível de que há memória, Kevin Rowland, the leader of the band, acreditou que aquele era o momento certo para dar a conhecer aos então num

Woodstock vive (!) nos tempos de Donald Trump

Pelos padrões de 2019, o nome infame de Ronald Reagan leva, apesar de tudo, a memória colectiva para uma época de normalidade (talvez regularidade seja melhor palavra). Mas centremo-nos na infâmia: esta não remete exclusivamente para os anos subsequentes a 1980, quando foi eleito Presidente dos EUA, mas também para o final dos anos 60, quando defendeu com unhas e dentes o recrutamento em força na Califórnia, da qual era Governador (não, não foi Schwarzenegger o primeiro actor com parcos recursos dramáticos a ocupar o lugar – sendo que, felizmente, pouco mais os aproxima).

Alice nas Cidades

Alice nas Cidades (1974), de Wim Wenders

Joker

Finalmente!

E eis que do coração da indústria, em plena era da infantilização do espectador pela multiplicação de filmes dirigidos a adolescentes que, segundo os demiurgos de tal Ordem, e há quem solicitamente anteponha Nova a Ordem, não esperam complexidade nem desafio

Burning (2018)

Ou como fazer do absoluto desconforto um mistério apenas resolúvel pelo fogo, que é como quem diz, irresolúvel pelos padrões da carne + sangue pensante característica, na pior das hipóteses, do homo sapiens.

Ad Astra

Para as estrelas?

Perante Ad Astra, o mais recente filme de James Gray, corre-se um sério risco: permitir que a voluptuosidade do olhar interior que o filme convoca se deixe abater pelo aparente paradoxo científico.

O filme adopta uma orientação estranha e, em síntese, extravagante, desde as primeiras imagens. Desaba no sentido da gravidade tão rápida e intensamente quanto o defrontar / encarar permite, para dela (prontamente) se libertar para sempre (seja como força – i.e., propriedade científica -, seja como símbolo).

True Detective

Repetição, ‘acto de repetir’. Houve uma época em que a habilidade para concretizar efeitos de repetição era a norma pela qual se definia o autor de cinema. Prerrogativa do realizador, que fique claro. John Ford fazia sempre o mesmo filme, o que o próprio não desmentia, e ninguém lhe poupava encómios, Alfred Hitchcock só muito raramente alterava o método com o qual captava a nossa atenção. John Carpenter, com bastante sucesso crítico, ou Brian de Palma, este com pouco ou nenhum, também utilizavam sempre a mesma metodologia (Brian de Palma ainda anda por aí, John Carpenter diz que não).

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