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Jorge Branquinho

Maximus Welles Magnum Opus (ou o Filme Sobre Tudo)

The Other Side of the Wind é, tão-só, tão simplesmente, um dos dois-três-quatro filmes mais importantes da história do cinema. Não há outra forma de começar. E registe-se que tentámos.

Orson Welles terminou as atribuladas filmagens de The Other Side of the Wind em 1976 (haviam começado em 1970), e nele deixou de trabalhar definitivamente no início dos anos 80, com pouco mais de 40 minutos editados. Ficou pronto em 2018, terminado por outros (com Peter Bogdanovich, também actor no filme, à cabeça).

Pela arte do desencanto, i.e., pelo desencanto na arte.

Observar o mundo, a multitude de formas de uma multitude de formas, é estranhamente o exercício mais simples. Tão simples que magoa ter começar assim. Como tem de começar.

Processo centrípeto em torno de um motor de explosão autodefinido como racional, como tal, necessita devolução. É quando as coisas se começam a tornar interessantes. Enfim, quase sempre, pode-se viver escondido ou usar uma máscara – e esses não importam.

Nick Cave: Skeleton Tree

Numa era em que se pede tanto, uma coisa ninguém tem o direito de pedir: que se assista ao funeral de um filho e se sobreviva. Culpa máxima e ilimitada! Criar vida para a morte certa, do vazio da inexistência para o vazio pós-morte por um único caminho possível, assente nessa consciência.

Um monólogo pós-2008

Sobre o estar de fora – Um monólogo de través pós-2008, do qual, estranhamente, ainda não resultou um filme.

Alguém exclamou, a rapariga, e desse impressivo tumulto final nada se pode aproveitar. Do que foi dito antes, um pouco mais: palavras casuais, com a pretensão da melodia e contudo traídas pelo arrastar gorgolejante do nervo, como se em metal rasante: "Não! Recontro! Fome! Eu! Todos! Nunca! Pois então."

Love - The Red Telephone

Love - The Red Telephone (Album: Forever Changes)

Os Love. Um vício a que aderi tardiamente, como de resto a fumar. Foi fácil deixar os cigarros... A culpa foi do tipo do costume, quem mos apresentou sem (no entanto) mos fazer ouvir, e de uma noite de intenso calor e mal dormida em Roma.

Harpe Fantaisie - "Six Pièces", de Jacques Ibert

Certo dia, em meses, há não mais de três e não menos de dois – digamos três, conheci um tipo numa ode aberta ao cinematógrafo que, do nada, me disse algo como isto num dos muitos, demasiados, intervalos: ‘Para ouvir harpa era capaz de atravessar três mundos!’

Milagres e questões essenciais

O milagre que afinal não o é assim tanto

Uma canção dos Pink Floyd perfeita sem a participação na composição de Syd Barrett? A resposta lógica à questão anterior terá sempre de ser: Não! Nem pensar!

A Sociedade do Espectáculo de Guy Debord

Responder ao desafio lançado na obscuridade da noite fria, interminável de neblina. A noite ininterrupta que foi o Inverno mágico de 2013. O desafio, circular, de conteúdo apenas ligeiramente oscilante. A voz, como sempre, rouca. Tinha feito a pergunta. O amigo de longa data que restava...de mãos nos bolsos, encostado à penúltima arcada.

Caos ou Iluminação?

Pelos instantes iniciais de Spring Breakers (2012) e Dawn of the Dead (1978)

Tenho para mim que quanto mais uma sociedade se alinhar por valores conservadores mais se vai afastar do seu desígnio enquanto suporte da espécie. Mas também pode ser o caos! Não importa, desde que convenientemente filmado por gente com talento... Como bem sabemos, para os que acreditam no pior, é sempre dos adolescentes e dos que se recusam a permanecer mortos que vem o maior perigo...

Donnie Darko (2000): um pensamento súbito

Frank Black e Jodorowsky

Frank Black (Headache) – Um teledisco impossível de qualificar.

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