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Filosofia

O atlas espantadiço de Ayn Rand

Digo o que posso e devo, dadas as circunstâncias -

Começo por copiar da introdução de um texto anterior (e eis uma auto-citação):

“Ler um elevado número de excertos desse amontoado de páginas de pseudo-saber que é Atlas Shrugged, qualquer coisa como O Atlas Que Encolheu os Ombros e Foi à Vidinha Dele, de Ayn Rand, é uma experiência atroz (e contudo necessária) que pode afectar o precioso mecanismo das conexões cerebrais e causar danos permanentes.”

Fim de auto-citação.

Ateísmo e pessimismo, uma coabitação necessária…e conveniente

O multifacetado George H. Smith (norte-americano, nascido no Japão ocupado em 1949), escritor, orador, académico, notório ateu e libertário, coloca a racionalidade na vanguarda da frente de combate contra o efeito religioso, e fá-lo razoavelmente bem na sua obra mais famosa, Atheism - The Case Against God. Dá para todos os lados por igual, aparentando a distância necessária que permite a discussão em termos precisos (i.e., a validação pela norma do método), mas tudo se resume a uma lógica tão evidente quanto vulgar:

FILOSOFIA DAS COISAS

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Duas coisas nunca são iguais e a filosofia vai muito mais além. Bem, será porventura errado falar em coisa. É vago e disperso. Há nas coisas, a que é uma e a que é a outra, uma utilidade subjacente. Tudo isto se concretiza num grande saco de penas, uma almofada.

LIVRE ARBÍTRIO E PENSAMENTO LIVRE

Saber se escolhemos livremente é um dos assuntos mais interessantes que posso imaginar. O pensamento livre, como causa de uma escolha material livre, é, para o efeito aqui perseguido, igual. Portanto, concentremo-nos no assunto da liberdade.

A liberdade, em abstracto, é o assunto. E essa liberdade prende-se, antes de mais, com a concepção de liberdade de pensamento que, por sua vez, condiciona a liberdade de escolha.

PORQUE É QUE OS HUMANOS CONTINUAM A FAZER GUERRAS?

“Qualquer guerra é um sintoma de falência do Homem como animal pensante.” - dizia John Steinbeck, no entanto, o estado de guerra providencia às pessoas um estado de positividade psicológica nas sociedades oprimidas onde faltam outros caminhos para a mudança. Esse estado positivo é tão forte que contagia; de tal modo que os jovens britânicos, atualmente a combater na Síria, sentem eles próprios estar “a lutar pela mesma causa dos camaradas muçulmanos, mas também procuram a preencher a necessidade de se sentirem mais vivos.”