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Duarte Carrasquinho

A linguagem

A linguagem foi uma verdadeira revolução na história da humanidade. Tal como a invenção da imprensa ou da roda, o desenvolvimento da linguagem, enquanto capacidade de comunicar de forma complexa com outro ser humano, abriu portas para uma compreensão mais profunda do mundo que nos rodeia, permitindo-nos perceber o outro, compreender o que pensa, quem é e o que pretende.

A Alegria da Resistência

 

Há pessoas a quem voltamos quando os tempos nos parecem mais sombrios. Pessoas que,  sem o saberem, nos servem de azimute num contexto que nunca antes navegámos. E,  embora a coerência na vida seja talvez o desafio mais difícil (afinal, todos estamos  sujeitos à condição humana), o exemplo dessas pessoas torna-se um ponto de orientação  e de esperança. 

Se ainda estão entre nós, a sua presença é, por si só, motivo para reforçar a crença na  decência do mundo. 

O voto que conta

 

No próximo dia 18 de maio o país vai a eleições. Estas eleições vão ter lugar  sensivelmente um ano depois das últimas e três anos depois das anteriores.  

Já muito se falou da causa que levou a estas eleições e ainda mais a quem lhe cai o ónus  da corrida às urnas, na tentativa de enfraquecer o oponente, na conceção de que como o  povo está farto de instabilidade e de votar, valorizará o lado que menos fez para que os  votos fossem novamente contados.  

E fez-se português

Tenho feito o exercício de refletir sobre qual foi o momento em que Portugal se tornou Portugal e os portugueses se tornaram portugueses.

Passando os olhos pela nossa história, identifico vários marcos que contribuíram para a construção da nossa identidade coletiva.

Será que foi, como descreveu Alexandre Herculano, na sua bela expressão, “a primeira tarde portuguesa”, quando os exércitos do nosso primeiro rei se digladiaram nos campos de São Mamede contra as tropas galegas de Fernão Mendes de Trava, amante de sua mãe?

Uma ideia de interior

Quando olhamos para o mapa de Portugal, a noção de "interior" desafia a lógica convencional da geografia. Afinal, o que significa realmente este termo num país tão pequeno, onde o mar nunca está longe e onde as distâncias internas são modestas?

A batalha pela memória

A memória exprime uma relação social pela hegemonia na sociedade. O que uma sociedade escolhe preservar na sua memória coletiva forma o solo fértil para o modelo de sociedade em que se quer viver. A memória é, por isso, uma batalha constante.

Cada indivíduo carrega a sua própria história, composta por vivências pessoais e relatos de terceiros. Se a memória que cada um tem da sua própria vida se vai modificando e se desvanece à medida que o tempo passa, o mesmo acontece com acontecimentos que não vivemos na primeira pessoa e que nos são narrados das mais diferentes formas.