17 Setembro 2014      00:11

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O álcool na música clássica

Caros leitores,

a chamada Música Clássica é para muitos uma música elitista e desconhecida, um pouco à semelhança de outras artes como a pintura, escultura, dança, entre outras. Digo “chamada Música Clássica” porque, dizem os entendidos que o nome correcto é Música Erudita, já que o nome Música Clássica se pode confundir com música referente ao período histórico do classicismo. Ora, esta Música Erudita apesar de ter uma aparência muito snob, com todas as abas de grilo e vestidos de cerimónia que nos são dados a ver enquanto escutamos um concerto, esconde-nos um mundo de dependência do álcool e outras drogas.

Muitos são os músicos de orquestra que ao longo dos anos começam a desencadear um pânico de palco. Tocar durante longos períodos de tempo, em que a concentração tem de ser total, perante uma plateia silenciosa, também ela concentrada e atenta à performance dos músicos, pode ser de facto muito stressante.

Rachel Lander é um exemplo disto. Rachel é uma violoncelista que deu uma longa entrevista ao canal Inglês “Channel 4” sobre o seu problema. Rachel começou a estudar violoncelo aos 8 anos, era filha de pais músicos e o seu sonho era tocar numa orquestra. Devido ao acumular do stress de participar em concertos, concursos, competições e outros eventos comuns na vida de um músico, teve um ataque de pânico com 14 anos a meio de uma sinfonia quando liderava a secção de violoncelos da orquestra da sua escola. Saiu a correr do palco a tremer e com vómitos. Rachel nunca mais recuperou deste trauma. O seu médico receitou-lhe comprimidos para a ansiedade o que resultou no princípio, mas cedo o corpo se habituou a estes e a ansiedade voltou. Começou então a tomá-los com Vodka e a ansiedade voltou a desaparecer por uns tempos. Aos 23 anos Rachel tomava um Valium acompanhado com Vodka em todos os seus pequenos-almoços. Acabou por finalizar a sua licenciatura mas nos primeiros anos nunca procurou emprego em música e tornou-se numa empregada de mesa pensando que a solução estava em parar de subir ao palco. Acontece que o seu hábito ao nível do álcool e da medicação já eram um vício e só dois anos mais tarde procurou ajuda. Hoje em dia está sóbria há sete anos e já voltou ao violoncelo onde faz algum trabalho de estúdio, toca com artistas Pop e grava para filmes, mas, continua a evitar tocar numa orquestra.

O caso de Rachel não é caso único. Este é um problema real em qualquer orquestra que é despoletado por várias condicionantes. Stress da performance, estilo de vida que o músico é obrigado a fazer, fins de semana fora a tocar, horários tardios, muito tempo fechados numa sala a praticar. É também muito normal que após um concerto que leva o músico a um pico cardíaco bastante elevado, leve a que esse músico queira relaxar com os seus colegas após o concerto com um acto social como ir a um bar ou beber uma bebida em casa de modo a dar tempo ao corpo de relaxar novamente. É fisicamente impossível um concerto terminar e o músico ir directo para a cama dormir. É como se uma pessoa antes de se deitar tomasse uma série de bebidas energéticas.

Felizmente hoje em dia já existe uma maior informação sobre este assunto e o músico já é aconselhado a praticar desporto como forma de combate ao stress diário. O bem estar físico baixa os níveis de stress e ansiedade para que casos como o da Rachel e outros não voltem a acontecer.

 

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