12 Outubro 2014      00:19

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Globalização, compromisso e obrigado Malala & Satyarthi

“Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo!” Malala Yousufzai

No mesmo dia que cruzar-me com um basco, com sua boina típica, num supermercado alentejano, me lembra que só existe um mundo global, o prémio Nobel de Malala Yousufzai e de Kailash Satyarthi alertam-nos para as diferenças que ainda existem nele. Tal como os olhos que viam o ébola em África mudaram o que viam quando chegou à América e à Europa. Após a abolição jurídica da escravidão, a vida humana, em pleno séc. XXI continua a não ter o mesmo valor em todo o lado.

No entanto, o exemplo da jovem paquistanesa e da luta de Satyarthi contra a grave exploração infantil, oferecem-nos esperança. Os nossos alunos devem ver o seu exemplo e valorizar mais e melhor o direito que têm à Educação. Devem esforçar-se e ver nela a única ferramenta séria para melhorar a sua condição e construir o seu futuro. Malala teve que enfrentar os talibãs para estudar; muitas outras crianças não têm acesso à Educação, e por cá, o saber, o aprender, o conhecer têm um peso “bué da grande” para se levar a sério.

Ainda por cá, o bastonário da Ordem dos Médicos revelou, em entrevista à Visão, não ter dúvidas sobre a intencionalidade da destruição da qualidade do SNS, em favor do sector privado. Eu digo o mesmo, e alargo a amplitude destas implosões à Educação, à Justiça e ao Estado Social.

Os casos Citius e colocação de professores, que já merecem ser consideradas longas-metragens, colocam-nos ao nível de países de 3º mundo! É vergonhoso que casos que envolvem violência doméstica e crianças não possam ser julgados na urgência que necessitam.

Na Educação, Crato e companhia continuam a meter a pata e passámos de não colocações a professores colocados em várias escolas e até um caso de um professor, que pediu rescisão, e que foi colocado em 75 escolas! Sim, 75, não é gralha, é falha, mas do ministério.

Enquanto França e Itália enfrentam Alemanha e defendem mais tempo para as metas orçamentais, nós não. Passos quer continuar a esmagar o seu povo para que o resultado final seja ficar ainda pior que o que que se estava à partida. Continuamos no nível lixo, e não é só nas agências de rating.

Mas sim, o “stôr” Cavaco tem razão. É preciso compromisso, são precisos acordos de estabilidade em áreas fundamentais. E ele tem feito muito para que não aconteçam. Não percebeu que a tão afamada política de compromisso não nasce do silêncio ensurdecedor a que se tem vetado, mas de puxões de orelhas, alertas e conselhos constantes; de diálogo. Também ele é culpado da abstenção e de uma possível implosão do sistema partidário português. Também ele, e essencialmente alguns dos seus acompanhantes de governo nas décadas de 80, têm o seu quinhão de culpa na descredibilização da política. Relembro só a segurança com que falou no caso BES, acabando por enganar os pequenos investidores.

BES aliás onde parece que afinal sempre vamos ter que entrar com alguns trocos. Surpreso? Nem por isso. Não esperava era que a sociedade portuguesa, sempre sedenta de uma boa reclamação, continuasse inerte e impassível a tudo o que tem vindo a ser feito. Afinal, somos todos culpados das falcatruas estatais e das negociatas. Salgado diz que há muitos envolvidos; não é novidade. Nem isso, nem o fato de não os apontar. Chamem os bois pelos nomes; restaure-se Portugal! Já é mais que a hora!

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