20 Junho 2014      23:57

Está aqui

Fora de jogo

Sempre que há um Campeonato do Mundo de Futebol todas as atenções se centram em tudo o que está relacionado com ele; os miúdos fazem coleção de cromos, as vendas de bandeiras, camisolas e outras bugigangas alusivas aumenta, ficamos a saber os hábitos de todos os que fazem parte da comitiva das seleções, o número de sapatos do fisioterapeuta, o modo como o cozinheiro corta a cebola, os órgãos de comunicação social não falam de outra coisa…

A verdade é que o futebol alimenta paixões. Eu amo futebol e o futebol é parte indissociável de mim. Sou o que sou e quem sou graças a ele. O futebol toldou-me a personalidade, ensinou-me a sofrer e a lutar por objetivos; ensinou-me que cada um tem a sua parte e o seu papel numa equipa; ensinou-me a levantar a cabeça após as derrotas e a ser altivo após as vitórias. Deu-me alegrias, muitos bons momentos, muitas boas memórias e muitos bons amigos. Passava horas a jogar, e ainda hoje quando jogo com os meus colegas de trabalho, agimos e reagimos como se fossemos um bando de miúdos; e que bem que sabe!

Gosto de ver um bom jogo; de ver bons golos. Há meses tive a oportunidade de assistir em Londres, num típico pub inglês, a jogo de futebol entre Liverpool e Manchester City e estava simplesmente a delirar com o ambiente que se criara neste pub: os cantigos, a emoção, os nervos etc. deveras impressionante o modo como os ingleses vibram com o futebol, quase tão impressionante como o respeito e civismo demonstrado pela minoria que envergava camisolas do City. Em Portugal a emoção é igual, a paixão também, pecamos no civismo….

Ainda assim, com tantas coisas boas que o futebol tem, há outras que eu não percebo. Não percebo como se “pagam” jogadores pelos valores que se praticam, que se comprem e vendam jogadores por milhões (que muitas vezes nem a camisola honram) ou que se façam Campeonatos do Mundo em países onde é quase inumano praticar desporto deste nível (dou o exemplo do Qatar, onde serão próximo mundial e onde os estádio terão ar condicionado para combater as elevadas temperaturas). No Brasil, como na África do Sul, não se compreende como se fazem tantos estádios, que representam investimentos tão avultados, quando muitas das coisas essenciais a uma vida com qualidade faltam (Educação, saúde, segurança etc.).

Por exemplo o Estádio Arena Amazónia, em Manaus, tem capacidade para 40.549 pessoas. Diziam na RTP, durante o jogo Itália-Inglaterra, que a média de assistências do clube local era de 800 pessoas por jogo! Como se pode justificar um investimento deste calibre se, no pós-mundial, a rentabilidade do investimento será quase nula? Mas lá está, se houvesse fartura…o problema é que não há, e o povo brasileiro disse-o repetidamente. A sociedade em geral tem que mudar este esquema montado à volta do desporto, por muito que o futebol (ou outros desportos na América do Norte) represente para nós, o dinheiro que envolve é injustificável e esses Platinis e Blaters que por aí andam deviam era regular e tabelar os salários dos jogadores e as transferências, e acabar de vez com a especulação financeira de alguns “empresários” em redor deste autentico tráfico humano de jogadores que até já faz com sejam arrancados às famílias jovens de 18 anos, do Brasil, para virem jogar para os campeonatos distritais portugueses, a troco de pão!

Viva o futebol puro… o das crianças!

 

P.S.: Força Portugal!

 

Foto de Eurosport

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