8 Janeiro 2015      13:02

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Editor do Charlie Hebdo estava na lista de alvos da Al-Qaeda

Passou pouco tempo ainda, mas a sofisticação do ataque de quarta à redação do revista satírica francesa Charlie Hebdo tem, como dizem alguns especialistas no New York Times , o envolvimento  da Al-Qaeda ou de alguns afiliados.  De acordo com uma testemunha ocular, um dos atiradores gritou “Digam aos media que isto é a Al-Qaeda no Iémen” enquanto fugia.

Num artigo de Joshua Keating na Slate.com, há uma outra pista: num assunto recente do Inspire (o magazine de língua inglesa publicado pelos membros da Al-Qaeda no Iémen, o editor da Charlie Hebdo, o francês Stéphane Charbonnier, um dos das doze vítimas do atentado de quarta, estava na lista de alvos a abater da Al-Qaeda que se chamava “Uma bala por dia mantêm um infiel longe” (original: “A Bullet a Day Keeps the Infidel Away.”)

Para além de pessoas que constam nesta lista e que têm a sua foto por baixo do célebre slogan "Wanted dead or alive" (Procurados mortos ou vivos) por "crimes" cometidos contra o islão, estão também os nomes de Kurt Westergaard e Lars Vilks, os dois cartoonistas que já sobreviveram a alguns atentados após terem caricaturado Maomé; Carsteen Just e Flemming Rose, editores da Jyllands-Posten, o jornal dinamarquês que publicou os cartoons de Westergaard, em 2005; Terry Jones, o pregador da Califórnia conhecido por queimar o Corão, em 2010; Geert Wilders, líder o partido de extrema-direita holandês, e que discursa frequentemente contra o islão; Morris Sadek, um cristão egípcio que vive nos Estados Unidos, conhecido por promover o filme anti-maomé "The Innocence of muslims"; e Salma Rushdie, o célebre escritor que vive escondido por ter escrito "Os versículos satânicos".

O artigo faz ainda uma referência ao facto que alguns dos nomes acima referidos se encontram mal escritos nessa alegada listagem de alvos a abater da Al-Qaeda.

Ao lado desta lista de homens, surgem ainda duas mulheres das quais só consta o nome, sem fotografias, são elas Ayaan Hirsi Ali, a ativista e crítica do Islão norte-americana de origem somali e Molly Norris, a norte-americana que promoveu “Toda a gente desenha o dia do Maomé” “Everybody Draw Mohammed Day”, em 2010, em protesto contra a censura de um dos episódios da famosa série de desenhos animados (não infantis) Shouth Park que tratava do tema “Maomé”.

O “Inspire”, distinguido por eles próprios pelo seu design gráfico limpo e títulos provocadores como “Como construir uma bomba na coxinha da tua mãe” foi o ideia dos membros do AQAP americano Anwar al-Awlaki e Samir Khan, mas começou a publicar intermitentemente desde que eles foram abatidos por drones norte-americanos, em 2011.

Os analistas de terrorismo criticaram os repórteres britânicos por dar importância a esta “lista negra”, que parece tão desejada pelos media como pelos potenciais jihadistas. É por isso que é um erro fazer muitas leituras dessa lista. É altamente improvável que os terroristas de quarta-feira tenham retirado a ideia de um jornal ou revista. No entanto, a lista dá uma indicação daquilo que leva a que aconteçam atos como o de Paris, já para não falar que muitos dos alvos são cartoonistas e escritores. 

By Joshua Keating

From Inspire’s May 2013 issue.

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