16 Novembro 2014      00:00

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5 sítios onde pode começar a 3ª Guerra Mundial

No passado 17 de outubro, James Hardy, em artigo de opinião no National Interest, revelou cinco locais do globo que podem ser determinantes no início de uma suposta e muito falada 3ª guerra Mundial.

Nos últimos tempos parece que a Terra está num grande fogo cruzado. Continuam os conflitos intermitentes na Ucrânia, há uma tensão enorme no eixo da Ásia/Pacífico, o ébola ainda anda por aí e o Estado Islâmico continua com a sua guerra sangrenta na Síria e no Iraque.

Apesar da gravidade destes acontecimentos, Hardy deixa no ar a pergunta “será que algo ainda pior e a nível planetário pode vir a acontecer?”

Prossegue com um levantamento dos cinco locais que poderão ser determinantes num suposto início de uma nova guerra à escala mundial.

Como foi observável na crise do conflito ucraniano e pela hesitação da administração Obama em definir como lidar com o ISIS na Síria, a guerra industrial à moda do séc. XX está fora de moda, e não é de agora.  

Algumas das previsões que se seguem tomam em conta uma queda da ordem que nos rege e que levará à guerra, enquanto o espectro de um ataque terrorista com armas de destruição maciça terá a capacidade lhe dar uma dimensão apocalítica num ápice. Ainda assim, a situação atual do planeta pode ser somente uma fase: a violência de um Estado face a outro será sempre possível e basta uma nação ter a vontade e os meios.

Daí que as previsões tenham em conta um possível ataque, e resposta, entre nações. Nenhum país com armamento nuclear – sejam os Estados Unidos, a China ou a Rússia- aceitará uma derrota numa guerra convencional sem antes usar todos os recursos disponíveis para a vencer.

Esta é uma das razões pela qual uma possível 3ª guerra será diferente do que conhecemos até aqui; é também uma das razões pelas quais todas as hipóteses previstas envolvem meios nucleares e entidades armadas -ou potencialmente armadas- com eles.

 

1. Coreia do Norte contra o mundo

As notícias sobre o súbto “desaparecimento” de cena de Kim Jong-un e sobre o facto de não andar muito bem em termos de saúde recordou às pessoas do nordeste asiático que também por lá existe uma boa parcela de extremistas.  

A grande jogada da Coreia do Norte, ao longo dos últimos anos, tem sido a de provocar o mundo para aceitar as suas condições e de poder receber em troca as benesses, sejam elas na forma de ajudas económicas, ou em alimentos e outros bens. Este tem sido o jogo de Kim Jong-un.

As conversações que decorrem entre o regime de Pyongyang e o Japão significaram já uma redução de sanções do Japão à Coreia, por esta investigar os sequestros de cidadãos japoneses durante a Guerra Fria. A estratégia utilizada pela Coreia foi a mesma, aproveitando-se do facto de também o japão estar a necessitar aliados políticos naquela zona do globo.

A teoria da provocação funciona na perfeição até se perceber que no final de tudo a Coreia não fez caso de nada e continua a desenvolver um programa de construção de armas nucleares e sistemas móveis de lançamento de mísseis com ogivas nucleares.

Simultaneamente, a outra Coreia, a do Sul, continua também a construir o antídoto para as ameaças nucleares norte-coreanas e propõe-se a acabar com elas antes de deixarem o solo. Há a acrescentar o facto de, aparentemente, a China ter perdido a paciência, e, essencialmente, a influência que detinha há muito tempo junto de Pyongyang.  

Claro que este comportamento da Coreia do Norte visa essencialmente a sobrevivência do seu regime, mas se Kim Jong-un morrer ou deixar de assegurar as benesses a algumas elites tudo acabará por ser em vão.

 

2. China contra India (contra Paquistão)

 

O conflito fronteiriço entre a China e a Índia, dois dos países mais populosos do mundo, e que vem desde a Guerra Fria, teve no passado mês de setembro, quando Narendra Modi, primeiro-ministro indiano, levantou a questão das incursões nos territórios fronteiriços disputados, durante um encontro com Xi Jinping (numa rara visita do presidente chinês à Índia) novo episódio, mas a mais recente chegada de um submarino chinês ao Sri Lanka, posicionando-se estrategicamente no Oceano Índico, no passado outubro, pode chocar com as pretensões estratégicas da Índia e levar a nova subida de tensão entre os dois países.

Na prática, não há razões para que os dois países entrem em guerra. A china tem vindo a estabelecer várias negociações com os seus vizinhos sobre disputas territoriais, tendo a maioria delas sido conduzidas a bom-porto, faltando só precisamente resolver o problema com a Índia, na zona dos Himalaias.

A movimentação chinesa no Índico, em conjunto com a eterna amizade com o Paquistão, ameaçam a soberania regional indiana. Aliás, também a Índia tem aproximado as suas posições de “inimigos” da China como o Vietname e o Japão. Esta competição geoestratégica e algumas más decisões como os casos de Caxemira e Ladaque podem levar a uma escalada de desentendimento e levar facilmente a um conflito bélico.

 

3. A trapalhada no Médio Oriente

 

A situação no Médio Oriente é tão confusa, desconcertante e assustadora (quer seja pelo ISIS, no Iraque, em Gaza, na Síria, em Israel, no Líbano ou nos afetados pela “primavera árabe”) que a primeira coisa que ocorre é agradecer por ainda não ter sido rastilho a uma guerra mundial. Para tal acontecer, diz Hardy, “o equilíbrio nuclear na zona tinha que, irreversivelmente, ficar desajustado.”

Um dos modos mais óbvios disto acontecer é o Irão usar o seu poder nuclear e Israel responder. Outra hipótese, e que merece mais atenção, tem a ver com a melhoria e evolução que os mísseis sauditas podem sofrer de modo a conter ogivas nucleares.

Mais um elemento para este cenário de “campo de minas” é a quem é que esses mísseis serão apontados: Irão ou Israel?

Outro trunfo a ser usado será o possível apoio norte-coreano (a comprovar-se o poderio nuclear e a capacidade para o usar) ao regime de Bashar Al-Assad ou o ISIS capturar equipamento capaz de conter material nuclear e adquirir o conhecimento para o transformar em armamento.

À luz dos acontecimentos e das suposições, as tentativas dos Estados Unidos em evitar que o Irão consiga a bomba nuclear faz ainda mais sentido; foi por isso que do mesmo modo inquiriu sobre as intenções da Arábia Saudita na área, embora com menos veemência.

 

4. Rússia contra NATO

Antes que campanhas aéreas contra o ISIS fossem notícia, era a situação na Ucrânia que ocupava os espaços noticiosos. O abate de um avião comercial, sucessivas violações dos limites fronteiriços e violações à lei e soberania de um Estado como a anexação da Crimeia pela Rússia deram força à necessidade de reavaliar as relações ocidentais com a Rússia de Putin.

A velocidade e inteligência das campanhas russas têm sido hostis para com a NATO e outras organizações multilaterais como a União Europeia; esta última tem sido paralisada com comissões de aproximação e que têm atrasado as suas respostas e reações.

Verdade seja dita, a NATO está a par desta possibilidade e também ela tem feito tentativas de fortalecer a sua posição na Europa de Leste. Na Cimeira de Gales, em setembro, começou a delinear os detalhes de um Plano de Ação Rápida que inclui forças de intervenção rápida e posicionamento de equipamentos e provisões ao largo das fronteiras mais a Leste.

Esta ação contrasta com aquilo a que Brook Tigner, correspondente da IHS Jane’s, descreveu como a “distinta lenta Força de Ação Rápida da NATO que demora meses para pôr no terreno a sua força de 20 mil tropas e equipamento.”

A Nato precisará também de pensar e trabalhar um modo de vencer também na guerra da informação, da qual Putin é grande adepto e tem gerido do mesmo modo que qualquer outra batalha nos solos ucranianos.

Considerações táticas aparte, no cerne da questão está a movimentação da NATO em direção aos recém países do leste europeu; algo que sem surpresa mereceu a oposição da Rússia, e a reação de Moscovo em dizer que tinha o direito de proteger as minorias russófonas noutros países, caso fossem ameaçadas por intervenções/ações da NATO nesses Estados-membros, tais como os Estados balcânicos e a Polónia.

 

5. China contra os Estados Unidos (via Taiwan, Japão ou controlo a sul do Mar da China)

O último e quiçá mais potencial conflito de todos envolve, uma vez mais, Estados Unidos e China. A “armadilha de Tucídides”, (historiador da Grécia Antiga e que em a “História da Guerra do Peloponeso”, na qual participou, descreve a guerra entre Esparta e Atenas, no séc. V a.C..) que escreveu que “foi a ascensão de Atenas e o medo que isto inspirou em Esparta que tornou a guerra inevitável” pode ser o exemplo de como os Estados Unidos olham para a China e tem sido um ponto relevante nas agendas diplomáticas sino-americanas.

Este ponto de vista é contrariado por alguns analistas, no entanto, é inquestionável que o crescimento e o aumento do poder militar da China alterou o equilíbrio e isso afeta inúmeros pontos de fricção no nordeste asiático.

O maior perigo destes pontos de fricção é que envolvem terceiros: o sul do mar da China, o Japão, Taiwan ou a Coreia do Norte. Todos eles podem dar origem a um conflito que rapidamente se pode descontrolar. O mais sério é o da disputa territorial marítima de parte do oceano Índico, áreas que a China reclama como suas e que contestará se o status quo mudar contra os seus interesses.

 À cabeça destas disputas marítimas surge o conflito com o Japão pelo controlo das ilhas Senkaku/Diaoyu, que estão sob controlo do Japão e ao abrigo do acordo de defesa entre Japão e Estados Unidos.

 

Outro ponto perigoso é o sul do mar da China, onde as Filipinas (outro aliado americano ao abrigo do acordo de defesa) estão preocupadas com as construções chinesas de ilhas artificiais (imagem acima), que não existiam há bem pouco tempo, no arquipélago desabitado de Spratly, composto por mais de 750 recifes, ilhéus, etc, mas cuja área emersa total não chegava aos 4 km2 .

 

Contudo, o problema mais difícil de resolver parece estar em Taiwan, o deslocar do poder militar de Taiwan para a China foi uma das marcas mais fortes da segurança do Este asiático nos últimos 15 anos. Este esquecimento a que os Estados Unidos vetaram Taiwan pode trazer sérias consequências caso seja necessário o envolvimento militar apesar de Taiwan deter uma força aérea melhor que a chinesa.

O mínimo erro, o mínimo ataque pode criar as condições para a guerra começar, só falta saber qual é o apetite dos envolvidos em começá-la ou que líder, e em que país carregará no botão.  

 

Fonte: National Interest

Pesquisa, tradução e adaptação de Luís Carapinha 

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