18 Setembro 2020      12:24

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As voltas de um ciclo

I - 1960’s

O Alentejo é uma imensidão de gente.

Do litoral ao interior,

em cada casa, em cada aldeia,

há vida que canta alegre e arduamente.

.

A grande metrópole inveja a simplicidade.

Os feriados de cada terra

dançam até de madrugada,

no baile e na festa celebra-se a felicidade.

 

II - 1980’s

O Alentejo ainda é uma imensidão de gente.

Esta gente faz planos

em prol da terra mãe,

a mesma que um dia brotou a sua semente.

.

A grande metrópole ainda inveja a simplicidade.

Cavaleiro citadino de espada na mão

deseja trespassar a alma do aldeão,

falha o coração, regressa à cidade.

 

III - 1990’s

O Alentejo começa a perder gente.

A tortura dos mais velhos

é ver os novos abalarem lentamente;

ninguém nota, pouco se sabe, tudo se sente.

.

A grande metrópole não inveja a simplicidade.

Tem um número invejável de soldados,

cansados, desmoralizados;

erra ao pensar que o número faz a totalidade.

 

IV - 2020’s

O ciclo desenha o progresso;

desconhece-se o ponto inicial,

o fim é temporário,

certo é o nosso regresso.

 

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Ricardo Jorge Claudino nasceu em Faro em 1985. Actualmente reside em Lisboa. Mas é Alentejo que respira, por inigualável paz, e pelos seus antepassados que são do concelho de Reguengos de Monsaraz. Licenciado em Engenharia Informática e mestre em Informação e Sistemas Empresariais pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Exerce desde 2001 a profissão de programador informático.Também exerce desde que é gente o pensamento de poeta.

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