11 Novembro 2019      10:12

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VILA VIÇOSA – Tesouro por descobrir?

No dia de ontem, tal como tem vindo a acontecer com alguma frequência nos últimos tempos, tive a grata oportunidade de acompanhar três jornalistas estrangeiros numa visita a Vila Viçosa.

O percurso incluiu alguns dos seus mais emblemáticos e representativos monumentos. Da surpresa à admiração, os sentimentos revelados por quem pela primeira vez visita a “Princesa do Alentejo” são muito positivos. Destaca-se sobretudo a atmosfera bucólica e envolvente, presente na arquitetura, nas ruas e na sofisticação do mármore, aliadas ao charme das avenidas decoradas com laranjeiras.

A pureza, o estado de conservação e a genuinidade patrimonial calipolense são, de acordo com uma opinião generalizada, imagens de marca de Vila Viçosa, para quem tem oportunidade de nos visitar. No entanto, uma questão surge para uma significativa maioria.

Porque motivos e razões Vila Viçosa e o seu património não são suficientemente conhecidos? Porque continuamos a ser uma “pérola escondida” no coração do Alentejo? Será esse o segredo do sucesso?

Na minha opinião, não tem havido uma aposta clara no âmbito da divulgação da excepcionalidade de Vila Viçosa. Alguns podem considerar que se trata de um certo discurso bairrista na defesa da localidade, mas desde há muito que considero que o seu património pode ser uma efetiva alavanca de desenvolvimento. No entanto, para que tal se concretize, é necessário que todos os agentes e instituições definam e reforcem uma estratégia de promoção daquilo que nos caracteriza e diferencia.

Se muitos que nos visitam salientam o estado de conservação, a qualidade dos edifícios e coleções, a importância do mármore e os segredos gastronómicos como principais trunfos, referem também as lacunas em termos da estratégia de divulgação, que tem sido manifestamente insuficiente. É necessário criar um plano efetivo em termos de comunicação e de marketing, que permita trazer mais visitantes.

O Alentejo vive um momento de expansão a nível turístico, mas por vezes fico com a sensação de que esse fenómeno não chega com toda a intensidade a Vila Viçosa. E todos somos responsáveis, em certa parte, por isso. É necessário criar mais e melhores condições de acolhimento, apostando na reabilitação do património e na dinamização cultural, social e económica da localidade, investindo também na criação de novos equipamentos culturais e desportivos. Mas isto implica que as infraestruturas de apoio funcionem.

É preciso minimizar as falhas ou lacunas em termos de abastecimento de água, de acolhimento e de informação, por exemplo, e permitir a criação de eventos, dinâmicas e acontecimentos que tragam até este território quem deseja conhecer mais acerca da nossa história e das nossas tradições.

Para que algo se valorize, também é necessário que seja conhecido. Temos um legado muito singular que, devidamente aproveitado, poderia constituir uma marca muito atrativa. No entanto, considero que não tem havido um investimento suficiente neste sentido. Desde há muito tempo que tem havido outras prioridades. Na minha perspetiva e sobre esta matéria, é preciso uma programação qualitativa e contínua, que mostre aos potenciais visitantes o que é único e distintivo. Temos o mercado espanhol aqui ao lado, com muitos potenciais “clientes”. Mas não só…

O Santuário da Padroeira, Florbela, Pousão, temas como a doçaria conventual e a brilhante e gloriosa história de Vila Viçosa no século XVI, entre muitos outros exemplos, podiam ser traços distintivos que, conjugados entre si, permitiriam a criação de uma oferta altamente atrativa e com retorno do ponto de vista económico. O aumento do número de visitantes será uma garantia de receita e possibilitará uma maior amplitude em termos das programações (pedagógicas, culturais e educativas). Mas é necessário que politicamente se olhe para esta hipótese como uma verdadeira alternativa.

E este discurso não é contra os outros polos, nomeadamente Évora, Marvão, Monsaraz e Elvas, que captam essa atenção na atualidade. O trabalho em rede e em parceria, de forma complementar, pode ser uma solução para este desafio, através da definição de circuitos e rotas.

É necessário diálogo e resiliência, num trabalho de equipa que possa trazer frutos a breve prazo.

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