13 Julho 2020      15:51

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Vigésima, a última, por ti Rui

Dizem-nos que o medo é um conceito que vai mudando ao longo da vida e que varia muito em função das nossas experiências, vivências e que vai mutando ao longo da vida. Um exemplo clássico que é empregue nesta metamorfose, a paternidade ou maternidade, onde este sentimento é transferido integralmente para os nossos filhos. Passamos a sofrer por eles. Comigo também foi assim.

No entanto, se é o medo que nos desassossega e desconcerta, é na vida que devemos centrar a nossa atenção. Vamos então falar da vida, da sua importância e do significado de a vivermos de forma plena. Quero, por isso, deixar-vos um exemplo, de um amigo que partiu há pouco, mas que estou convicto que vai continuar a influenciar as nossas vidas pelo exemplo: o Rui Moura.

Ele resume melhor do que ninguém um conceito que aprendi a apreciar e valorizar – ‘liderar para servir’. A sua entrega ao associativismo era demonstrativa da capacidade de influenciar pessoas a trabalharem por objetivos visando o bem comum, da vontade de satisfazer as necessidades das pessoas que estão à nossa volta. O Rui era isso, liderava para servir.

O Rui, para além de um excelente pai e companheiro, tinha uma energia carregada de humanidade, difícil de encontrar nestes dias de imediatismo e impessoalidade, nestes tempos de individualismo e egoísmo. Corria, literalmente, por valores maiores em que acreditava e sempre transportando uma pedagogia contagiante.

Mantinha uma ligação ao território, às pessoas reais, aos mais frágeis com quem trabalhava, que não é mais do que uma enorme motivação para a forma como vivemos e encaramos o mundo.

Se hoje me perguntassem, ‘quem queria ser’? Responderia, sem qualquer dúvida, que queria ser como o Rui Moura ou, pelo menos, tentar trilhar a grandeza do seu caminho.

Esta é assim a última crónica desta série que se iniciou em 2016. O motivo e tema não podiam ser mais devastadores, no entanto é a minha forma de homenagem a um grande amigo que partiu muito antes do tempo e cuja vida foi um exemplo. É este forte exemplo que queria deixar na vigésima, a última, a mais dura das crónicas.

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