5 Junho 2019      16:55

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A utopia verde

Aquilo que distingue essencialmente as utopias das distopias é o ideário de perfeição e de um universo superior que, muitas das vezes, não está ao alcance do comum dos mortais. Hoje é perfeitamente claro o cenário de imprevisibilidade em torno das alterações climáticas e do próprio futuro do nosso planeta e da nossa espécie. A utopia verde pode ser por isso a de Greta Thunberg, de Al Gore e de todos aqueles que têm insistido na necessidade de colocar a agenda verde, sem recuos, no tabuleiro da ação política.

Esta já não é tanto a utopia de Paris, que nos transporta para desajustamento da política internacional e de algumas figuras bizarras que nela passaram a figurar. No entanto, na Europa, as eleições para o parlamento europeu ilustraram bem o peso que os eleitores do velho continente atribuíram à agenda verde. Este é um ponto de não retorno – no plano político e da política pública, no plano da sociedade e das instituições e no plano da gestão territorial. A força que o bloco europeu tem, e também a sua responsabilidade, neste domínio não pode ser desperdiçada. Tal como não desperdiçou António Guterres a oportunidade, no discurso da entrega do Prémio Internacional Carlos Magno, de colocar a agenda das alterações climáticas na dianteira das prioridades políticas.

Esta é também a utopia da geopolítica e do seu peso na batalha contra os “free riders” das alterações climáticas - aqueles que beneficiam da cooperação sem contribuir para o esforço comum: instituições, empresas e Estados. O mundo sabe quem persiste nestes comportamentos, quem protagoniza os piores exemplos e quem alinha no desrespeito continuado pelas gerações futuras.

A utopia enquanto estádio final de realização e de justiça é composta por pequenos gestos e execuções concretas. Situando à escala nacional e regional, temos tido bons exemplos de empenho, visão e governança no combate às alterações climáticas. A começar pela notícia de que Portugal registou a maior redução de emissões de CO2 da União Europeia no ano de 2018, com uma redução de 9% das emissões registadas em relação a 2017. Estes números encorajam a consecução das metas ambiciosas do Plano Nacional de Energia e Clima para 2030 que prevê, por exemplo, que 80% da eletricidade consumida no país seja proveniente de energias renováveis.

Por fim, esta é também uma utopia regional, embora no Alentejo os desafios sejam muito mais as questões das estratégias de sustentabilidade territorial e do aproveitamento dos recursos. Nesta linha está o plano inovador, apresentado recentemente, de transporte a pedido para a região Alentejo. Este programa piloto da CCDRA entra precisamente na dinâmica das novas lógicas de mobilidade: inteligente, inclusiva e verde. No Alto Alentejo, esta é também a utopia da Barragem do Pisão, um projeto estruturante para uma região que, para além de se constituir como nuclear no armazenamento de água para consumo humano, tem hoje, pela mão dos novos artífices políticos, uma componente de produção de energia fotovoltaica que se constitui como o garante da sustentabilidade do empreendimento e do território. A utopia verde não está assim tão distante, está ao alcance da nossa vontade individual e coletiva. Vamos celebrar, hoje, ativamente esta utopia no dia mundial do ambiente.

 

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