10 Novembro 2017      06:26

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A UTILIZAÇÃO DO GLIFOSATO TEM OS DIAS CONTADOS

O glifosato é o princípio ativo do herbicida Roundup, principal produto da empresa multinacional Monsanto e um dos produtos com maiores vendas em termos mundiais. O glifosato é aplicado na agricultura, nas florestas, em zonas urbanas e jardins. Desde 2015 que este composto tem estado no centro de uma enorme polémica.

A contestação em redor do glifosato acentuou-se a partir do dia 20 de março de 2015, depois do IARC – Centro Internacional de Investigação do Cancro da Organização Mundial da Saúde – incluir o glifosato na lista dos produtos provavelmente cancerígenos para seres humanos. De acordo com a IARC, a população está particularmente exposta aos efeitos carcinogénicos do glifosato por viver perto de áreas intervencionadas com o herbicida.

No seio da União Europeia o relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) caiu com estrondo, uma vez que a licença de utilização do glifosato expirava a 30 de junho de 2016, o que provocou (e continua a provocar) enorme discussão.

A 7 de março de 2016 a Comissão Europeia, cedendo aos interesses económicos instalados em torno da comercialização deste principio ativo, propôs ao Parlamento Europeu um prolongamento da licença de utilização até 2031.

Porém, à data, o Parlamento Europeu travou esta iniciativa e votou apenas a favor do prolongamento por mais 18 meses. Ainda assim, com o objetivo de clarificar o problema, o Parlamento Europeu encomendou um estudo sobre os efeitos ambientais do glifosato na biodiversidade.

Volvidos 20 meses e depois de a Agência Europeia de Produtos Químicos ter considerado que o glifosato não é cancerígeno, a Comissão Europeia voltou à carga e, no passado dia 25 de outubro, apresentou ao Parlamento Europeu uma proposta de renovação da licença de utilização do glifosato por mais 10 anos.

Todavia, a maioria dos eurodeputados não se deixou persuadir por alguns dos estudos apresentados sobre avaliação de segurança do glifosato. Inclusivamente, houve eurodeputados que evitaram colocar-se ao lado do agronegócio e lançaram dúvidas sobre a credibilidade de alguns estudos patrocinados pela Monsanto e hesitações sobre alguns estudos independentes utilizados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pela Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA).

Assim e em face de forte probabilidade de chumbo, a votação foi suspensa para que fosse elaborada uma nova proposta pela Comissão Europeia. O que desde logo soou a boas noticias para a biodiversidade do planeta.

No comunicado divulgado pelo Parlamento Europeu no dia 25 de outubro pode ler-se que a Comissão Europeia deverá adotar as “medidas necessárias para eliminar progressivamente a substância ativa glifosato na União Europeia até 15 de dezembro de 2022, assegurando que nenhuma utilização de glifosato seja autorizada após essa data”.

Tendo em consideração que cerca de 76% da utilização de glifosato a nível mundial ocorre na agricultura e que os produtos e subprodutos agrícolas entram na cadeia alimentar, o resultado da votação não vinculativa da resolução (conjunto do texto) entristece: 355 votos a favor, 204 contra, 111 abstenções. Ou seja, presumivelmente, há 315 eurodeputados que não estarão totalmente convencidos sobre o potencial problema que a aplicação do glifosato possa representar em termos da saúde pública.

Ora, como na dúvida ninguém quer ser condenado a viver rodeado por um composto potencialmente cancerígeno, aplaudo a decisão acertada do Parlamento Europeu e como diz o povo português: “prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.

Imagem de capa de contraosagrotoxicos.org

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