26 Maio 2018      16:58

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Under The Volcano (1984)

Não é o tempo ou a experiência (mantidos convenientemente como gémeos que escolheram viver como vizinhos) que nos preparam para um filme como Under The Volcano (1984), antepenúltima realização de John Huston. Porque nada nos prepara para a morte. Fora do jogo da ilusão, é claro.

Não podemos habitar a morte, pois é o consumar que tudo elimina, e os genes sabem-no demasiado bem. Não nos podemos vestir para a morte, alguém terá de o fazer por nós. Contemplar o fim dos fins é algo que nem ao poeta é permitido, apesar de o próprio, na vertigem criativa, o poder julgar possível em certas circunstâncias.

Mas sempre dentro do jogo da ilusão, dadas as voltas que se tenham querido dar, até à tontura, até à demência (derradeira armadilha como se não bastasse – ao louco, aparentemente, tudo pode ser dado a contemplar, mas é como se nada lhe fosse verdadeiramente concedido, nem a possibilidade de ver).

Ver através de uma parede de chumbo, mesmo se coberta por um lençol branco capaz de reflectir todas as cores? Não, obrigado!

Mas não é isto o cinema? Claro que sim, só que travestido, uma vez que apenas ao sóbrio se dirige enquanto obra. Mecanismo de tortura. Mecanismo disfuncional, por nunca ligar à terra – como se nos fosse atirando quantidades de areia para os olhos, e quando os fôssemos esfregar nada pudéssemos sentir senão a ausência, até do incómodo.

No entanto: e se por uma vez assim fosse? Pois, e finalmente chegámos (regressámos) a Under The Volcano… Albert Finney é o sujeito, único sujeito viável, e John Huston a fonte do (que é) inconcebível mas necessário.

 

Imagem de i.pinimg.com

 

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