22 Abril 2019      12:28

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Uma viagem aos patrimónios vivos de Elvas, com o melhor organista europeu do ano

Terras sem Sombra é um projecto que há 15 anos convida o público nacional e internacional a experimentar, sentir e viver, muito de perto, o património único do Alentejo, revelando o que há de mais interessante na região – e na vizinha Extremadura. Uma oportunidade única para conhecer um legado que é único: o nosso.

No próximo fim-de-semana, o festival tem por alvo a arte, a história e a biodiversidade de um dos mais interessantes concelhos alentejanos: Elvas. Para isso, propõe não só um concerto verdadeiramente singular na antiga Sé, mas também um itinerário de visitas guiadas por protagonistas locais.

Sábado, 27 de Abril, às 15:00 horas, inicia-se uma viagem por algumas das principais expressões artísticas patentes na cidade raiana, entre o santuário de Nossa Senhora da Piedade e o Museu de Arte Contemporânea de Elvas, que alberga a Colecção António Cachola.

Às 21:30 horas, a velha catedral descerra as suas portas para que se possam ouvir as peculiares sonoridades do Órgão Grande Oldovino (1762), pela mão do organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona, Juan de la Rubia, recentemente distinguido com o título de melhor organista da Europa.

A manhã de 28, a partir das 9:30 horas, visa a conservação da natureza, incidindo na luta que está a ser travada por Portugal e Espanha, em plena bacia do Guadiana, contra uma planta exótica terrivelmente invasiva: o jacinto-de-água. O local escolhido situa-se nas imediações da ponte da Ajuda, onde o rio serve de limite a Elvas e Olivença.

Quando a Península marcava a música europeia

A oportunidade de escutar ao vivo um dos mais brilhantes organistas da actualidade, Juan de la Rubia, coincide com um programa musical de luxo que, tendo como fio condutor as relações musicais entre a Península Ibérica e a Europa no século XVI, oferece a oportunidade de usufruir das extraordinárias texturas sonoras do Órgão Grande Oldovino da Sé de Elvas, recentemente restaurado.

Juan de la Rubia, organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona, interpretará um repertório com a assinatura de Antonio de Cabezón (Castrillo Matajudíos, 1510 – Madrid, 1566), um dos mais famosos compositores de obras para órgão do seu tempo, também afamado por ser invisual. Foi músico da câmara de Filipe II de Espanha (I de Portugal), acompanhando o monarca, que muito o estimava, nas viagens pelos seus vastos territórios. Daí o título deste concerto: "Itinerários pela Europa ao serviço do Rei".

Cabezón foi um notável vanguardista no que diz respeito à utilização da estrutura musical “tema-variação”, a partir de qual nasceu a “forma” na notação musical. Extraordinário improvisador, deixou uma vasta produção de natureza religiosa e profana, de que serão escutadas peças clássicas, como El canto del caballero ou Guardame las vacas.

 

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