16 Junho 2019      11:29

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Turismo e identidade

Nos últimos tempos, têm sido algumas as vozes críticas contra o excesso de turistas, porque estes desvirtuam a essência da identidade portuguesa, em várias das suas manifestações. Por esse motivos, os “visitantes” são olhados com alguma desconfiança por parte de alguns, com uma clara desvalorização do papel que as receitas originadas pelos fluxos turísticos representam para a economia nacional

As opiniões negativas sobre o “excesso de turistas” são oriundas sobretudo das grandes cidades, nomeadamente Lisboa, na medida em que a presença dos mesmos causa transtornos a vários níveis, sobretudo na lotação de monumentos, pelo facto dos residentes verem os bairros típicos invadidos por “estranhos” e porque o trânsito torna a vida na capital num verdadeiro inferno.

Os detratores do aumento de turistas em Lisboa esquecem que o sector turístico tem hoje uma importância determinante em termos económicos e tem inspirado a criação de projetos inovadores a vários níveis (desde o património à gastronomia), que colocam Portugal como um destino preferencial e mundialmente reconhecido.

Será que podemos falar de OVERTOURISM em Lisboa? Será que a maioria dos residentes não reconhece o impacto positivo do turismo na própria vida da cidade? São se equaciona a riqueza gerada, decorrente do aumento substancial dos turistas?

Penso que as opiniões mais negativas são sobretudo oriundas de uma elite que julga de certa forma afectado o seu quotidiano pela presença dos estrangeiros que vão a museus, que visitam monumentos e que gastam o seu dinheiro no comércio local e na restauração. São muitos os milhões que entram mensalmente e que alimentam alojamentos locais, restaurantes e hotéis.

Defendem os mesmos intelectuais que são mais os contras do que os prós, decorrentes do entupimento da capital, esquecendo claramente os benefícios que são trazidos pelos turistas. Mas são os mesmos que vão alegremente visitar outros países, sem se preocupar pelo facto da sua presença noutros contextos poder originar a mesma opinião negativa por parte dos “nativos”.

Discordo frontalmente destas opiniões, reconhecendo que nos nossos dias, o turismo tem um peso determinante na circulação de pessoas e de bens e no estímulo à criatividade e empreendedorismo. Como nos diz o bom senso, é necessário equilíbrio e uma correta gestão desses fluxos turísticos. Torna-se imprescindível criar condições de qualidade para que os que visitam Portugal se sintam devidamente acolhidos, sem colocar em causa a conservação e a preservação dos nossos bens culturais.

De qualquer modo, se Lisboa está saturada, a uma hora e meia de caminho, temos o nosso Alentejo, repleto de ofertas apelativas a nível do património, ambiente, gastronomia, vinhos e com uma identidade muito própria, cada vez mais reconhecida e valorizada. Agradecemos que os insatisfeitos “alfacinhas” nos reencaminhem os turistas que estão a mais, que nós seguramente sabemos como recebê-los. E bastante falta nos fazem!

 

 

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