28 Dezembro 2019      10:54

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A tradição já não é o que era

Sim, a tradição já não é o que era. Há muitos motivos que demonstram que a tradição mudou.

Recentemente discutiram-se na Câmara Municipal de Évora e na Assembleia Municipal de Évora os documentos previsionais para 2020, nomeadamente o Orçamento e as Grandes Opções do Plano (GOP).

Como a CDU não tem a maioria absoluta na Assembleia Municipal, necessita de negociar com outros partidos no sentido de viabilizar os referidos documentos previsionais e operacionais. Nos últimos 2 anos os documentos previsionais foram viabilizados pelo Partido Socialista (PS).

Coerentemente o PSD votou contra os documentos apresentados pelo executivo comunista. As razões são muito simples: falta de estratégia para as grandes prioridades do município, prioridades bastante distintas entre as opções da CDU e as propostas apresentadas pelo PSD, falta de investimento nas áreas mais básicas do município, investimentos adiados e mau aproveitamento de fundos comunitários, etc, etc.

Este ano as negociações foram mais complicadas, isto porque o PS não mostrou a mesma disponibilidade negocial que apresentou nos outros anos.

Em referida altura, numa entrevista a uma rádio local, o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Évora referiu que o PS não pretendia viabilizar o Orçamento para 2020 e GOP pelos motivos da linguagem inscrita nos referidos documentos.

Referiu na mesma entrevista que o PSD não quis continuar as negociações, por discordância aos referidos documentos. Referiu, também, que o PSD não pretendia viabilizar o Orçamento para 2020 e as GOP, ao contrário do que é “tradição”. Segundo o Sr. Presidente da Câmara de Évora, o PSD entende que quem ganha governa. Daí a “tradição” do PSD se abster e viabilizar os documentos previsionais do município.

É verdade que quem ganha deve governar.  Não podem restar quaisquer dúvidas sobre isso! Mas quem governa mal, como é o caso do executivo da CME, não merece o apoio dos eleitos do PSD de Évora.

O PSD apresentou as suas propostas, infelizmente não foram aceites. Então o que se deve fazer? Não concordamos com a estratégia, não concordamos com as prioridades, não são resolvidos os “mínimos olímpicos” pelo executivo (limpeza, saneamento, estradas, etc), não foram aceites as nossas propostas, logo não poderia ser possível viabilizar os referidos documentos.

Foi lembrado ao Sr. Presidente da Câmara de Évora em plena reunião da CME que de facto a “tradição” não é o que era. Basta lembrar que era “tradição” quando um partido ganhava as eleições (legislativas) governava. Isso deixou de ser “tradição” há 4 anos atrás, graças ao incentivo e apoio da CDU (PCP e PEV). Também era “tradição” o presidente da Assembleia da República ser proposto pelo partido que ganhava as eleições (mais votado). Isso deixou de ser “tradição”, há 4 anos atrás, graças ao incentivo e apoio da CDU (PCP e PEV).

Penso que quando falamos de “tradição” as coisas começam a ficar bastante claras.

Curiosamente o Orçamento para 2019 e as Grandes Opções do Plano (GOP), desta vez foram viabilizados pelo CDS-PP.

De facto a “Tradição” não é mesmo o que era!

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