3 Março 2020      10:20

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Still Heaven em Vidigueira

O Museu Municipal de Vidigueira vai acolher a Exposição de Fotografia “Still(H)e(a)ven”, de Sérgio Braz d’Almeida, entre 6 de março (inauguração às 17 horas) e 5 de abril.

Sérgio Braz d’Almeida, Formado em Cinema e Vídeo pela ESAP (Escola Superior Artística do Porto) estudou na FAMU (Film Academy of Performing Arts, Praga) como bolseiro da Prague Center For Further Education; Estudou Documentary film na USC (School of Cinematic Arts, Los Angeles). Frequentou o Mestrado de Antropologia: Culturas Visuais na FCSH (Lisboa), o curso de encenação GULBENKIAN, o curso de pintura na AR.Co.

Realizou vários vídeos experimentais e de cenografia para espetáculos. Tem vindo maioritariamente a exercer a atividade de diretor de fotografia para cinema e televisão.

Sobre a exposição diz o autor: Still(H)e(a)ven foi construído durante residências artísticas em Góis, Montemor-o-Novo (oficinas do convento) e Arraiolos (Cortex frontal). Durante este trabalho, que foi desenvolvido ao longo de 2 anos, debrucei-me sobre um género que penso ter caído em desuso na arte contemporânea, mas que permanece enraizado na nossa memória. Desde o início o objetivo deste trabalho foi sempre levantar questões sobre a contemporaneidade através dos objetos que consumimos, através de uma espécie de “pegada humana” de um certo tempo, de uma certa geração. Still(H)e(a)ven é a desconstrução da palavra Stilleven; palavra holandesa utilizada para denominar uma corrente artística muito popular durante os séc. XVI e XVII, em Português: Natureza-morta. Desde então, até aos dias de hoje, diferentes artistas se debruçaram sobre este género. Embora não seja possível observar a figura humana neste quadros, eles acabam por ter grande valor antropológico na medida em que nos permitem refletir como evoluíram os objetos que utilizamos ou damos importância ao longo do tempo. 

Still é uma palavra etimologicamente inglesa, normalmente utilizada como adjetivo (aquilo que não muda), mas também utilizada para se referir a uma fotografia retirada de um filme (frame).
Se por um lado uma fotografia ou um fotograma cristalizam uma imagem no tempo, tornando-a assim perene, por outro a inevitabilidade do avançar do tempo e da mudança dos hábitos humanos acaba por realçar a efemeridade das coisas. É nesta ideia de Heaven (céu / paraíso) que muitas vezes nos perdemos, Será que somos nós que possuímos estes objectos ou serão eles que nos possuem e representam?

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