3 Janeiro 2019      16:15

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Sobre a presença do Presidente Marcelo na investidura do Presidente Bolsonaro

Sabia-se já, desde o dia 28 de Outubro passado, o que iria ocorrer no primeiro dia do ano, Jair Bolsonaro tomaria posse como Presidente da República Federativa do Brasil. Nesse sentido, sendo o Brasil um país longe de ser um país qualquer para Portugal, por várias razões, era espectável que o Presidente da República Portuguesa, fosse ele de que campo político fosse, estivesse presente nessa tomada de posse. E assim foi. O que fez gerar uma, já esperada, onda de indignados a manifestarem – no seu direito – a sua arrelia na imprensa e nas redes sociais para com o Presidente da República.

Há, no entanto, várias questões – não evidenciadas na imprensa nacional com o devido destaque – a considerar.

Entre as quais a já frisada questão de que, o Brasil, para Portugal (diplomaticamente) e para nós portugueses, não se trata de um outro país qualquer. É um país com o qual partilhamos uma história, uma língua e uma influência católica que conferem a ambos os países um significativo laço cultural.

Partilha-se uma vastíssima diáspora, tanto de emigrantes portugueses no Brasil, como de emigrantes brasileiros em Portugal, cuja boa vontade de ambos os países em manter ambas as diásporas e proporcionar a melhor assistência aos seus cidadãos a viver fora do país depende grandemente das boas, e vivas, relações diplomáticas entre ambas as nações.

O Brasil é o país dominante e mais capaz da América do Sul em termos geopolíticos, possui uma forte capacidade económica e uma forte capacidade militar. E será, muito provavelmente, ao Brasil que poderemos vir a ter que pedir ajuda, no caso de um colapso abrupto da situação na Venezuela, para ser salvaguardado o apoio e a segurança aos cerca de 50.000 emigrantes portugueses residentes nesse mesmo país.

Portugal partilha com o Brasil a presença na CPLP, organização cada vez mais empenhada em alargar as suas competências no campo do fomento das trocas comerciais entre os respectivos membros, missão essa que, sem a colaboração e o manifesto interesse do Brasil, na qualidade de maior potência económica da organização, tornar-se-ia praticamente infrutífera.

O Brasil é a maior potência económica do bloco “Mercosul”, bloco esse, com o qual a União Europeia se encontra em processo de negociação de um importante acordo de comércio livre, onde o “lobbying” de Portugal apresenta um relativo grau de importância tanto para a consumação do acordo, como para a afirmação do nosso país junto de Bruxelas como actor atlântico relevante e expedito para o diálogo e acção para com a América do Sul e a Africa Atlântica.

Por todas estas razões era importante a presença de Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia de investidura de Jair Bolsonaro, marcando presença na qualidade de respeitoso semelhante na cena mundial e cordial parceiro estratégico.

Mas, acima de tudo, é importante a presença do Presidente da República em sinal de respeito dos portugueses pela decisão do povo brasileiro, expressa democraticamente nas urnas no passado dia 28 de Outubro, partilhe-se ou não das visões do homem que lidera hoje os destinos do Brasil.

A diplomacia portuguesa pauta-se desde há séculos pelo pragmatismo, agindo no sentido de assegurar a sobrevivência do Estado e a sua prosperidade na medida do possível dentro das circunstâncias do espectro internacional que os tempos nos apresentam. O que ocorreu dia 1 de Janeiro foi nada mais que um acto de diplomacia e de sentido de Estado.

Imagem de capa de AFP/Getty Images

 
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