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Sines vai ter uma refinaria de antimónio, uma matéria-prima crítica para sistemas de defesa e semicondutores

A aicep Global Parques assinou um contrato de reserva com a ACM – Alchemy & Critical Metals para a instalação de uma refinaria de antimónio na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), num investimento estratégico que visa reforçar a autonomia da União Europeia face à atual dependência externa de matérias-primas críticas. O acordo assegura o direito de superfície de uma parcela de 131.000 m² na Zona 1 da ZILS por um período de 30 anos renováveis, estando o arranque da atividade industrial programado para o ano de 2030. Este empreendimento projeta a criação de cerca de 150 postos de trabalho diretos altamente qualificados e aproximadamente 300 empregos indiretos na região.
A futura unidade industrial foi dimensionada para uma capacidade anual de 10.000 toneladas de antimónio metálico, combinando 7.500 toneladas de produção primária com 2.500 toneladas resultantes de processos de reciclagem alinhados com a economia circular. O antimónio é um metaloide vital para setores de alta tecnologia como semicondutores, sistemas de defesa, baterias de armazenamento de energia, eletrónica e na produção de retardantes de chama para plásticos e têxteis. Atualmente, o negócio global deste mineral move milhares de milhões de dólares e enfrenta uma enorme volatilidade de preços devido à forte concentração da extração e refinação em poucos mercados mundiais, o que motivou a União Europeia a legislar o aprovisionamento seguro destes recursos através do Regulamento (UE) 2024/1252.
Do ponto de vista estrutural e ambiental, o projeto ocupará uma área de implantação de cinco hectares e prevê um volume de construção de 80.000 m³, com edifícios que atingirão até 15 metros de altura e infraestruturas técnicas especializadas. A operação será inteiramente desenvolvida com base nas Melhores Técnicas Disponíveis (BAT), integrando bacias de retenção contra derrames, uma Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais (ETARI) própria para a precipitação de metais pesados, e sistemas avançados de lavagem de gases que vão converter o dióxido de enxofre em sulfato ou ácido sulfúrico. A ACM implementará ainda a monitorização contínua de emissões e a gestão rigorosa de impurezas como o arsénio através de operadores licenciados, tirando partido das vantagens logísticas, ferroviárias e do acesso direto ao Porto de Sines para posicionar Portugal na linha da frente da cadeia de valor europeia de minerais estratégicos.

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