23 Agosto 2019      16:38

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A Rota EN2 começa a despertar a atenção política nacional

A Estrada nacional 2 (EN2) é provavelmente a estrada portuguesa mais mítica, como já referimos em artigos anteriores, uma “Route 66” à portuguesa.

Foi incluída no Plano Rodoviário português há 74 anos e atravessa Portugal de norte a sul, num total de 738,5 quilómetros que fazem desta a terceira estrada mais longa do mundo – só atrás da Route 66, nos Estados Unidos e da Ruta 40, na Argentina.

A EN2 atravessa 36 concelhos, grande parte alentejanos, e, desde há uns anos, quis consolidar-se como rota turística, dando destaque aos locais de alojamento, património e restauração, além de pontos de interesse histórico. Para melhor servir estas pretensões, alguns concelhos uniram-se , em 2016, para formar a Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 (EN2).

A Associação quer que sejam promovidas e exploradas as potencialidades de cada concelho, bem como promover, junto de quem a percorre, a identidade e o património português na sua diversidade de costumes, gastronomias e paisagens.

Mas há mais, quer-se também a internacionalização da Estrada Nacional 2, num projeto socioeconómico que visa, entre outros aspetos, combater a desertificação do interior do país e oferecer uma alternativa turística de excelência ao litoral do território.

Esta ideia tem recolhido apoios e opiniões favoráveis de vários quadrantes da sociedade e começa a despertar a atenção dos políticos e governantes nacionais.

António Costa, enquanto Secretário-Geral do PS e já em clima de pré-campanha, começou esta semana um périplo pela EN2, e vai estar no próximo domingo, dia 25, pelas 17h, em Alcáçovas, no Paço dos Henriques, para cumprir mais uma etapa deste itinerário.

Alcáçovas pertence ao concelho de Viana do Alentejo, um dos concelhos fundadores da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2. Em 2017, Bengalinha Pinto, autarca socialista de Viana do Alentejo, revelou ao TA que se trata de um "projeto importante para o futuro do nosso Concelho e, por isso, a ele aderimos desde a primeira hora”. Acrescentando que “esta rota turística vai ajudar a criar riqueza em cada um dos concelhos que atravessa, através da divulgação de todo o seu património”.

Passados dois anos, e em época de especial relevo, quisemos saber o que mudou e voltámos ao contacto com Bengalinha Pinto.

Os concelhos pequenos e do interior temos de nos agarrar a todos o projetos que surgem e que têm potencial positivo. - Bengalinha Pinto

Tribuna Alentejo (TA) - Continua a ter fé no projeto da Rota EN2?

Bengalinha Pinto (BP) - Os concelhos pequenos e do interior temos de nos agarrar a todos o projetos que surgem e que têm potencial positivo. Este pareceu-nos um desses projetos e desde 2016 estamos nele de corpo e alma, e é para continuar. Continuo a acreditar que este é um projeto com muito potencial, com futuro e com grande margem de crescimento e que pode vir a ser mais uma alavanca para o desenvolvimento dos concelhos do interior e para segurar população e aumentar riqueza.

 

TA - Que alterações se sentiram no concelho por via da Rota EN2?

BP - Houve um aumento de turistas, embora nos seja impossível quantificar em número o atirar qualquer expressividade económica de fazer-mos parte desta rota.

Ainda assim chegam-nos relatos quase diários de pessoas que estão a fazer a Rota EN2. Ainda há poucos momentos, enquanto se preparava a visita de António Costa, tive conhecimento que estavam um grupo de visitantes no Paço dos Henriques, em Alcáçovas, que está a fazer toda a Rota da EN2.

Há mesmo pessoas que já pernoitaram no concelho e que estavam a fazer toda a rota EN2 a pé, com o apoio de um automóvel para assistência.

Há já estabelecimentos comerciais que distinguem estes turistas EN2 com uma lembrança alusiva à rota, e este mesmo vir a ser um factor distintivo.

 

TA - O que procura o turista da EN2?

BP - Essencialmente natureza, património, cultura e gastronomia. É um turista que mostra preocupações ambientais e que quer saber os costumes e hábitos locais.

TA - Que recados, relativos à EN2, vai dar a António Costa?

BP - A mensagem a dar é que tem que manter uma atenção especial para com o interior e para com os territórios de baixa densidade populacional. É preciso iniciativa e mais projetos como este da EN2, e outros, para segurar a população e atrair mais investimento.

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