25 Março 2016      14:36

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REDE DE SANEAMENTO DE BEJA TEM 2000 ANOS

Cloacas com 2000 anos, que remontam à ocupação romana - entre os séculos I a.C e V d.C-  continuam a fazer parte da rede de saneamento e são responsáveis pelo escoamento das águas residuais de Beja, na atualidade.

As cloacas servem para escoar os esgotos e as águas pluviais da cidade.

Estas cloacas estão a ser estudadas pelo arqueólogo Miguel Serra - da empresa Palimpsesto – e revelou ao jornal “Público” que as cloacas – com vários quilómetros e condutas - são a maior construção que os romanos deixaram na cidade.

Os resultados das investigações foram apresentados pelo referido arqueólogo no início do mês de março, no Museu Nacional de Arte Romana de Mérida (Espanha), no seminário “Patrimonio Sostenible - Géstion de museos y yacimientos arqueológicos en Lusitania”. 

Uma das conclusões apresentadas revela a grande importância do estudo das cloacas até porque estas, por seguirem o traçado das ruas, permitem conhecer melhor o urbanismo da Pax Julia – o nome de Beja à época romana.

O investigador diz que é urgente fazer o levantamento exacto dos restantes troços da cloaca conhecidos na cidade, sugerindo que seja criada uma política de salvaguarda do património em futuras obras, e se proteja esta que é a maior obra romana identificada no Alentejo. Alerta ainda para os riscos de manter a estrutura em funcionamento tal como “ainda acontece hoje em dia,” facto que contribui “bastante para a sua deterioração.”

Em obras que decorrem noutros locais, em Beja, foram entretanto descobertos novos vestígios romanos como uma muralha romana junto a um cemitério e “um troço da muralha e porta romanas construídas durante o 1º século a.C que foram posteriormente sobrepostas pela muralha medieval”, como revelou Miguel Serra. 

As muralhas agora descobertas terão pertencido a uma estrutura defensiva que teria circundado a cidade e sob a qual foi construída a muralha medieval, rodeando cerca de 30 hectares.

Quando em 1253, em pleno reinado de D. Afonso III, essa muralha medieval foi restaurada pela primeira vez e nessa obra de restauro foram utilizados muitos materiais dos edifícios romanos que como pilastras visigóticas, a cabeça de um touro romana, soleiras de portas, pedras decoradas, entre outros.

 

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