A Quercus submeteu parecer negativo ao Projeto Agroflorestal Herdades de Murta e Monte Novo, em Alcácer do Sal. A associação ambientalista subscreve o posicionamento já divulgado pela Associação Dunas Livres e exige a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) desfavorável ao projeto, promovido pelo grupo Aquaterra.
O promotor já explora mais de 6 mil hectares no Litoral Alentejano através de regadio intensivo e pretende agora aprovar mais 295 hectares para a plantação de citrinos, numa região já severamente afetada pelo stress hídrico. Em causa está a extração de 1.740.000 metros cúbicos de água subterrânea por ano, através de 12 furos de grande profundidade. Dados do projeto Copernicus da União Europeia, de outubro de 2025, já davam conta do abatimento dos solos em Alcácer do Sal, resultante de captações que ultrapassam a reposição natural do aquífero.
A área do projeto coincide ainda com uma zona ecologicamente sensível, integrando a Reserva Natural do Estuário do Sado, o sítio RAMSAR e as zonas de proteção especial do Açude da Murta, Comporta/Galé e Estuário do Sado. A Quercus considera a reformulação apresentada uma operação de “cosmética”, assente em medidas de compensação vagas e não vinculativas.
A associação exige ainda um parecer do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) sobre o sistema aquífero da região, a retoma do Conselho Nacional da Água — que não reúne há três anos — e a promoção de um debate público com envolvimento de organizações ambientalistas e universidades.
