A aldeia de Porto Covo, no concelho de Sines, e Mértola tornaram-se os primeiros destinos turísticos sustentáveis do Alentejo, com a entrega formal do Certificado Biosphere – Sustainable Destination.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, José Santos, disse que este é o resultado “de um ano de trabalho coordenado” por este organismo, “em articulação com a Biosphere” Portugal (sistema de certificação e gestão da sustentabilidade, criado pelo Instituto de Turismo Responsável) e os municípios de Sines e de Mértola, após o lançamento do projeto-piloto, em fevereiro de 2025.
Segundo o responsável, “foi um trabalho de parceria muito profícuo com a Junta de Freguesia de Porto Covo e a Câmara de Sines e, principalmente, com os empresários que responderam afirmativamente de uma forma muito empenhada e assertiva”.
Os certificados de destino turístico sustentável foram atribuídos pela Biosphere, numa sessão pública realizada terça-feira, no auditório da Junta de Freguesia de Porto Covo, e na quarta-feira na Estação Biológica de Mértola.
Para José Santos, o trabalho começa agora, dando exemplo de “um conjunto de programas de capacitação do turismo de Porto Covo” que serão implementados “nos próximos dois anos”, como um programa de combate ao desperdício alimentar na restauração e na hotelaria, “numa lógica de parceria público/privada, [que] possa proporcionar uma redução de custos” para o setor e “afirmar uma consciência social” para a partilha dos alimentos que não são consumidos “com algumas franjas da população” mais necessitadas.
“Outro programa que vamos implementar é a elaboração de um Guia de Eventos Sustentáveis”, que vai contar com “um conjunto de requisitos e regras importantes para que o turista tenha uma experiência adequada e de compromisso com o meio natural e para com a comunidade”, acrescentou.
Será ainda criado “um indicador para avaliar o impacto do turismo na criação de empregos para residentes em Porto Covo, o número de mulheres que estão a criar negócios e a assumir posições de relevo nas empresas turísticas ou o progresso que as unidades hoteleiras estão a fazer ao nível da gestão e da otimização dos recursos hídricos ou de consumos energéticos”, sublinhou o responsável.
“Queremos garantir que Porto Covo mantém uma trajetória de crescimento turístico sustentável, que não ponha em causa aquilo que são os seus recursos turísticos e que possa continuar a ser visitada por turistas cada vez mais exigentes, conscientes da importância do ambiente para o Planeta”, defendeu, afiançando que o objetivo passa por “ter em Porto Covo um exemplo para o Alentejo de um destino sustentável”.
O presidente da ERT disse ainda que o programa de certificação vai ser alargado “a todo o Alentejo”. “O nosso objetivo é ter o Alentejo certificado como destino Biosphere nos próximos dois anos”, apontou, frisando que “os consumidores e turistas em todo o mundo escolhem destinos, hotéis, empresas de animação, viagens pela dimensão da sustentabilidade”.
A ERT quer “que o Alentejo seja um destino de turismo sustentável”, disse, argumentando que, para tal, é preciso primeiro “ter destinos organizados e alinhados com as melhores práticas de sustentabilidade”.
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