23 Maio 2019      13:15

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Porque o voto “ainda” é uma arma

Sabendo que nenhuma questão responde a todas as outras, o levantamento de algumas interrogações, a que tenho assistido nesta campanha eleitoral, para além de nada esclarecer, só contribuem para desinformar e lançar duvidas que, pouco ou nada, têm a ver com o momento que vivemos. Apresentando o nosso tempo grandes vulnerabilidades e, continuando a viver em sociedades marcadas pelas desigualdades, os esclarecimentos tornam-se fundamentais para o clarificar de posições.

Descartando todo o pensamento liberal e neoliberal, tão do agrado de uma Europa que insiste em reaparecer, é apostando num pan-europeismo onde os compromissos entre Humanidade (eliminando a pobreza, respeitando os Direitos Humanos, apostando numa democracia transnacional…) Ecologia (contribuindo para a sustentabilidade do planeta, apostando nas energias renováveis…) e a Tecnologia (postas ao serviço dos povos) são uma constante e, apelando à participação cidadã, que podemos transformar estes objetivos em novas realidades. Necessitamos de uma Europa democrática, um espaço onde todos se sintam cidadãos livres; precisamos de uma Europa empenhada em combater a corrupção, mais solidária e respeitadora das diferenças.

Não é numa Europa fortaleza (que começa a surgir) que queremos viver. Aqui as clivagens só se acentuarão, assim como o isolamento entre os povos e as suas culturas.

O combate deve começar em cada um de nós.

Torna-se, cada vez mais, desnecessário levantar questões para as quais já conhecemos as respostas e onde o sem-sentido dos discursos, apresentados por alguns políticos, cresce proporcionalmente às intolerâncias. A aposta num novo Pacto para a Europa, não só descredibilizará estes discursos, como contribuirá para o democratizar das instituições europeias, derrotando totalitarismos.

Precisamos criar novas expetativas combatendo, em simultâneo os populismos e demagogias que nos chegam todos os dias através dos Mídias.

São precisas ideias ambiciosas e inovadoras para alterar o que muitos pensam ser inalterável; é urgente um novo acordo virado para o futuro onde a transparência das instituições e a democracia representativa, sejam uma realidade. Para tal é a nós, cidadãos europeus, que compete lutar por esta causa comum.

As sociedades movem-se e temos de as saber acompanhar através de intervenções e ações alternativas; esta nova realidade factual a tal nos obriga.

O direito à informação e a transparência das instituições que compõem os seus órgãos de decisão, farão desta Europa um local mais justo e mais aprazível de ser vivido, apoiada numa constituição democrática e numa política transnacional, onde a solidariedade, um novo pacto para o clima, e a aposta na democracia representativa, serão o desafio.

Alimentar o que nos surpreende e não o que conhecemos torna-se imprescindível para garantir o nosso futuro.

Algumas soberanias continuam a apostar nas humilhações económicas e nos segregacionismos, e só uma dimensão pan-europeia pode contribuir para o recuperar das liberdades em risco.

Precisamos que as verdades se comecem a assumir como tal e, onde as opções politicas sejam o espelho das racionalidades, mais ou menos consubstanciadas em questionamentos, constituídos no armazenamento de ideias fragmentadas, pois ninguém pensa totalidades. O bullshit discursivo, ao encarar o bem comum como algo descartável, só terminará quando a cidadania participativa for uma realidade, e esta começa com o voto.

Se o voto “ainda” é uma arma, façamos bom uso dele.

 

Imagem de infomoney.com.br

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