5 Abril 2016      15:58

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PODEMOS PASSAR SEM "O" CENTRO COMERCIAL?

As mais recentes notícias sobre a já longa novela do Centro Comercial de Évora, dão nota de que investidores do Dubai compraram o Évora Shopping, perspetivando-se que as obras iniciadas em 2011 chegarão finalmente ao fim.

Muito se poderia discutir sobre este assunto. Tópicos como:

Será que faz falta um centro comercial na nossa cidade? A localização escolhida é a melhor? Poderíamos reforçar a oferta de algumas marcas ou usufruir de salas de cinema sem a construção deste espaço? Existirão outros investimentos mais prioritários? Sim…ou talvez não.

A verdade é que temos o que temos! E o que existe é uma obra inacabada. Um mono como lhe chamam os eborenses.

Se existe mercado e procura por parte da população…porque não? Ao que parece o mercado estimado é de 300 mil pessoas! Talvez seja um número exagerado, mas mesmo não atingindo esse pico, são certamente muitas as pessoas que acabam por se deslocar para fora da nossa região, por falta de um shopping cá. Não podemos ser hipócritas e demagogos ao ponto de o negar.

Se não existisse mercado, não teríamos assistido nos últimos tempos à instalação de novas lojas na nossa cidade ou à modernização de outras.

Do lado de quem se opõe à instalação de um centro comercial, a ameaça da concorrência e a destruição do comércio tradicional com consequente abandono do centro histórico é um argumento no mínimo pobre. Tanto de força como de espírito.

A ameaça da concorrência não é mais prejudicial para o comércio tradicional do que a reduzida oferta em termos de lojas/marcas, a falta de requalificação e modernização dos espaços e do próprio centro histórico, a falta de estacionamento ou os preços “despropositados” das rendas praticadas…

A concorrência tem de ser encarada como uma oportunidade para inovar, modernizar e ir ao encontro das preferências dos consumidores. Não deve ser entendida como uma guerra perdida antes mesmo de ser travada. Implica muitas vezes sair da zona de conforto, apostar na promoção, na fidelização, na criatividade.

E existem apoios para a modernização do comércio, para criar novos espaços e atividades, possibilidades de empreendedorismo, (por exemplo ao nível do Turismo), e entidades que em conjunto podem e devem fazer a devida promoção e dinamização. Exemplos disso são a Associação Comercial ou a Câmara Municipal.

Falando nesta última entidade, o comércio tradicional não pode olhar para uma câmara municipal como uma muralha, na esperança de ser protegido da concorrência. Não é esse o papel que lhe compete. Aliás, o bom senso talvez devesse ser o suficiente para suspender o processo de venda dos terrenos destinados à construção de um outro centro comercial. Não seria mais sensato esperar para ver e evitar gastos desnecessários?

Com a mesma sensatez, não podemos negar que a inauguração do centro comercial implica a criação de postos de trabalho, talvez não os 600 que se preveem, mas certamente algumas dezenas. Serão precários? Sim. Os salários serão baixos? Sim. Mas para muita gente, antes estes que nenhuns. Para além de que numa cidade com Universidade, as oportunidades de part-time para estes jovens podem ser uma importante fonte de rendimento.

Para mim, essencialmente trata-se de alargar o leque de opções na nossa cidade.

Quanto mais opções e liberdade de escolha, maior a probabilidade de todos ficarmos satisfeitos. Para uns pode ser um passeio no shopping, para outros um passeio pelas arcadas.

Se podíamos viver sem o shopping? Se calhar podíamos, mas já que se começou a obra, que se conclua.

 

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