24 Outubro 2018      14:17

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Para uma educação cosmopolita

Falar de cosmopolitanismo na educação pode parecer algo pouco comum e descontextualizado.

Então porque levantar este tema?

Sendo um assunto que me é particularmente grato, gosto de o olhar como algo pertinente e a ser discutido na minha área profissional. No entanto, alguma da bipolaridade das palavras pode levar ao esmagamento das verdades e de variadas interpretações. Por vezes, estas deturpações e confusões contribuem para que o debate sobre o tema esteja por fazer. Uma sociedade que se pretende cosmopolita deve estar comprometida com a educação na orientação da criança/jovem para uma vida social ativa não só a nível local como global; existe a necessidade da formação de uma comunidade universal perspetivando uma futura sociedade cosmopolita.

Se só existe passado porque há presente e sabendo que não conhecemos nenhuma questão que dê todas as respostas, o levantar de novas questões obriga-nos a reflexões que há muito pedem retorno.

Apresentando o nosso tempo muitas vulnerabilidades e continuando a existirem sociedades desiguais onde o hedonismo, a miséria, a repressão… ainda prevalecem, este não deixa de ser um assunto relevante.

Descartando todo o pensamento liberal em que se assume o cosmopolitanismo como algo mercantilista, a sua reteorização aplicada à educação é ainda uma ilusão. Apostando a pós-democracia na “domesticação” das pessoas visando a sua apropriação pelo Poder, e este (o Poder) “podendo”, não consegue impedir que se faça, que se sonhe com a valorização da diversidade e da criação de comunidades de diálogo e de justiça.

Sendo o cosmopolita atual um ser de agenciamento, cabe-lhe tomar conta do seu destino e fazer da educação um projeto de mobilização social. Como cidadão do mundo a sua interação com o processo educativo passa pela consciencialização e pelo empenho de cidadãos críticos, discursivos e participativos.

O aprofundar das raízes democráticas e a estabilidade das democracias instituídas podem contribuir para o enraizar de um pensamento cosmopolita que deve estar presente no sistema educativo, com aposta na solidariedade em contrapondo com o individualismo, através de uma pedagogia hermenêutica, onde o sentido da existência humana seja o foco. Assim, abrindo “novos” caminhos a conceitos por explorar, deixando os convencionalismos das instituições, uma pedagogia que incorpore, em simultâneo, transformações societárias e consciência global, não se limitando ao existente, só pode beneficiar quem a pratique e dela usufrua.

A formação de cidadãos cosmopolitas ainda não se enquadra nas metas atuais, no entanto, julgo ser uma aposta em futuras sociedades mais justas, onde ser cidadão do mundo é o objetivo.

Imagem de capa de awpixel.com

 

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