27 Novembro 2020      16:45

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Os mil e um lírios

Por Ricardo Jorge Claudino

Era uma vez um lírio, 
vizinho de muitos outros; 
era roxo, alto e cheiroso: 
era o lírio mais diferente de todos. 

.
Não falava nem escutava 
nem tão pouco sabia ler; 
o que tinha este lírio 
de tão especial que o fizesse valer? 

.
O fotógrafo parou o carro 
seduzido por mil e uma cores 
tentou capturar o momento 
mas a máquina não fitava as flores. 

.
Era uma máquina digital 
exausta, sem bateria; 
pobre fotógrafo foi embora 
sem que a sua memória fosse escrita. 

.
Depois veio a pintora 
para inspirar as suas ideias; 
uma brisa logo se levantou 
criando um degradê entre as pétalas. 

.
Distraiu-se e ficou sem as tintas

sem os pincéis e sem a tela; 
pobre pintora foi embora 
malvado vento que soprou sem cautela.

.
Era uma vez mil e um lírios, 
roxos, altos e cheirosos; 
todos juntos eram um,
eram os lírios mais corajosos! 

.
Quem for ver o campo 
deve ter em consideração: 
que ver com os olhos ainda é 
a maior lembrança que faz pensar o coração.

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Ricardo Jorge Claudino nasceu em Faro em 1985. Actualmente reside em Lisboa. Mas é Alentejo que respira, por inigualável paz, e pelos seus antepassados que são do concelho de Reguengos de Monsaraz. Licenciado em Engenharia Informática e mestre em Informação e Sistemas Empresariais pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Exerce desde 2001 a profissão de programador informático.Também exerce desde que é gente o pensamento de poeta.

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