16 Abril 2019      11:25

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Notre-Dame a cinza

Ao longo dos séculos, muitos foram os ícones históricos que foram sendo destruídos pelas mais variadas razões, desde a biblioteca de Alexandria ao Colosso de Rodes – há séculos atrás – aos Budas de Bamyan, as cidades antigas de Palmira, Hatra ou de Nínive destruídas recentemente pelos terroristas talibans.

Em 1666, um gigantesco incêndio consumiu Londres durante quatro dias e 80% da cidade medieval inglesa desapareceu e a também mítica Catedral de São Paulo teve que ser reconstruída.

Em Portugal, parte dos Mosteiro dos Jerónimos colapsou – durante uma obras de reconstrução e ampliação – em 1878. Em 1988, o Chiado ardeu também. Antes disto, muito antes, em 1755, um enorme sismo destruiu Lisboa quase por completo.

Outras cidades foram também destruídas quase na totalidade com guerras como Varsóvia, Berlim, Roterdão e Londres; ou Hiroshima, Nagasaki ou Beirute.

Agora foi Notre-Dame, em Paris e cuja construção remonta a 1163.

(...) custa a acreditar que o mesmo Ser Humano que criou e desenvolveu tecnologia que permitiu - ao fim de décadas - fotografar um buraco negro no Universo, seja o mesmo que, em plena Terra, não tenha arranjado maneira de prevenir e combater de modo eficaz catástrofes históricas como a que ontem queimou a histórica Notre-Dame, em Paris (...)

Não duvido da capacidade do Ser Humano em ser resiliente e dar a volta, em reconstruir, e muitas mais tragédias há com perdas de vidas em que muito mais há a lamentar, mas custa a acreditar que o mesmo Ser Humano que criou e desenvolveu tecnologia que permitiu - ao fim de décadas - fotografar um buraco negro no Universo, seja o mesmo que, em plena Terra, não tenha arranjado maneira de prevenir e combater de modo eficaz catástrofes históricas como a que ontem queimou a histórica Notre-Dame, em Paris, ou como a que queimou, por exemplo, o Museu da Língua Portuguesa em S. Paulo, com um legado valiosíssimo.

Parece que, enquanto Humanidade, cometemos os mesmos erros que enquanto indivíduos; aquela tendência a olhar para o copo meio vazio, mais que meio cheio, de querer mais um pouco do que não se tem em lugar de preservar o existente.

O mesmo serve para a floresta amazónica, ou para a selva moçambicana.

É esta ânsia, esta ganância que tem sido marca do próprio sistema económico mundial e que tem levado a uma acentuação absurda das desigualdades sociais, do aumento da riqueza para uns quantos, e da pobreza para uns milhões.

Há que aprender com o passado, não cometer os mesmos erros na construção do futuro e estamos a fazê-lo; enquanto indivíduos e sociedade, não preservamos devidamente essa herança e legado e só depois da perda se dá a valorização.

Seja como for, das cinzas, qual Fénix, também Notre-Dame ressurgirá; é arregaçar as mangas e ir à luta. Força França!

 

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