16 Janeiro 2018      11:22

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Os nossos hospitais públicos são autênticos “purgatórios” …  

Podemos ter sorte… ou muito azar com o atendimento, acolhimento e tratamento que nos calha. Quantos de nós não vamos hoje em dia, inseguros e com o coração nas mãos quando temos de ir a um hospital público? Até limitarmo-nos a acompanhar um doente é um risco! E se apanhamos nessa ida uma daquelas temíveis bactérias, as quais ou nos matam ou nos deixam fragilizados para toda a vida?!

E hipotéticas histórias destes “purgatórios” no nosso Alentejo e por esse país fora? Tantas… acabam-se as seringas, e há que aguardar que estas cheguem no Expresso vindas de hospitais de Lisboa. Ir levar uma injeção, e não haver nesse dia porque se acabou o stock desse medicamento. Como a farmácia do hospital fecha às 18h00, doentes em consultas que não sejam dadas nas urgências, não são medicados. Falta de toalhas, que leva a que os doentes hospitalizados usem depois do banho lençóis para se limparem. Fazer um parto a uma parturiente com historial complicado nos ovários, e para não se gastar dinheiro numa cesariana, prosseguir com parto normal durante horas, e o resultado é a morte do bebé por ataque de coração causado pelo stress de um parto sem fim. Entrar numa urgência com fortes dores de cabeça, não ser feito um único exame e ir para casa receitado com analgésicos e horas depois morrer devido a rutura de aneurisma. Ter uma fratura grave, ser internado de urgência e estar-se à espera até cinco dias para se ser operado. Andar de hospital em hospital à espera de atendimento por um pediatra, ortopedista, oftalmologista, ginecologista, e por aí fora porque nenhum hospital tem um staff médico permanente com todas as especialidades. Esperar por consultas e cirurgias meses a fim. Trocas de resultados de exames de pacientes. E tantas mais hipotéticas histórias que se poderiam contar.

Os serviços dos nossos hospitais públicos decaem de dia para dia. Cada vez se notam mais as carências, a não realização de exames de diagnóstico, o cansaço dos profissionais de saúde, etc. E porquê? Falta de dinheiro…

Só num dia, um grande centro hospitalar público, gasta cerca de 1 milhão de euros em exames, procedimentos e material cirúrgico, medicamentos, custos de pessoal, água, luz, refeições, etc. E nesse dia, foram pagas pelos utentes, taxas moderadoras na ordem dos 20.000 euros…, das quais só se saldam no próprio dia cerca de 9.000 euros.

E face a esta realidade e olhando para evidências do despesismo e gestão danosa do Estado, eu pergunto porque gastámos no Euro 2004 de futebol quase 700 milhões, dos quais o Estado português participou com 323 milhões? Construíram-se/remodelaram-se 10 estádios com esse dinheiro e todos anos se paga a fatura das despesas de manutenção dos mesmos por algumas autarquias, alguns dos quais sem serem utilizados e onde as equipas locais nem fazem parte da Primeira Liga.

E quanto custa fazer um hospital? Tomemos como exemplo o futuro Hospital Central de Évora: cerca de 94 milhões, e possuirá cerca de 400 camas e poderá vir a servir cerca de 150 mil pessoas, abrangendo numa fase inicial 14 concelhos alentejanos, e mais tarde dar resposta a todo os concelhos do Alentejo.

Como contribuintes descontamos para ter acesso aos serviços básicos de saúde e mesmo assim temos de andar a mendigar nos nossos hospitais por uma assistência sofrível, e se não tivermos condições financeiras para ir a consultas privadas ou hospitais privados, vale mais encomendar logo o caixão!

 
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