11 Fevereiro 2019      10:41

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Não, não vamos falar de violência doméstica

Não, não vamos voltar a falar de violência doméstica. Não, não vamos relembrar que só em Janeiro nove mulheres foram assassinadas pelos maridos. Não, não vamos, dizer que uma menor foi assassinada pelo pai.

Vamos continuar as nossas vidas e a achar que “entre marido e mulher não se mete a colher”.

Vamos continuar a ignorar a necessidade de sensibilização das entidades de justiça responsáveis pela investigação de crimes de violência doméstica para a verdadeira punição deste crime.

Vamos continuar a achar normal que existam juízes que sejam meramente advertidos por acharem que as agressões a uma vítima têm fundamento pela sua pouca gravidade.

Vamos continuar a achar normal que o Ministério Público continue a indicar medidas de coação pouco gravosas para este crime levando a que os agressores continuem em liberdade durante a fase de inquérito.

Vamos continuar a ignorar que são as vítimas que continuam a ter que deixar as suas casas, com uma mão atrás e outra a frente, com os seus filhos, tendo que mudar de cidade, ficando longe das suas famílias.

Vamos continuar a ignorar que esta é uma matéria em que todas as entidades intervenientes necessitam de formação específica e que essa formação continua a não ser dada.

Depois vamos continuar a ficar chocados com o número elevado de vítimas de violência doméstica.

Vamos chorar a morte de mais uma criança apanhada no meio de uma relação de violência.

Vamos continuar a dizer que chega mas muito rapidamente a esquecer-nos deste tema em detrimento da nova polémica.

Daqui por uns tempos vamos todos voltar a falar no tema e continuar a revoltar-nos.

É agora tempo de este não ser mais um texto sobre violência doméstica mas que seja o último que se escreve.

 

Imagem de capa de Kat Jayne

 

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