17 Fevereiro 2020      17:31

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“Não Matarás” dizem eles

Está na Biblía: “Não Matarás” (Ex 20,13) terá dito Jesus no Sermão da Montanha. Foi com esta escritura que um padre deu o seu sermão numa missa, num qualquer recanto de Portugal, como mostrava uma reportagem num noticiário televisivo de domingo.

Não sei se será esquecimento, ou sarcasmo de mau gosto, que agora as hostes religiosas se insurjam em campanha contra a Eutanásia quando têm sido as religiões (todas) e o professar de fanatismos que, ao longo da História, têm levado a um sem fim de mortes injustificadas e involuntárias.

Há 420 anos, precisamente no dia de hoje, 17 de fevereiro, a mesmíssima igreja queimava vivo, em Roma, Giordano Bruno.

Bruno – padre, teólogo e que conviveu de perto com S. Tomás de Aquino - foi acusado de heresia por se ter negado a refutar a teoria de que a Terra girava em torno do Sol e por ter questionado a Igreja sobre a Santíssima Trindade.

O seu processo na Inquisição durou 7 anos e Bruno sempre negou qualquer interesse particular em questões teológicas, enfatizando o carácter filosófico das suas especulações como, por exemplo, dizer que Jesus Cristo era apenas um ser humano comum com um carcater humanita e com dons especiais ou que o Espírito Santo era a alma do mundo.

Quando a sua sentença foi proferia, a 8 de fevereiro de 1600, Giordano Bruno terá dito "Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la". Foi classificado como "herege impertinente e pertinaz".

Giordano Bruno nunca renegou as suas ideias e enfrentou a pena de morte, tornando-se uma figura fulcral, segundo variados historiadores, para acabar de vez com a Idade Média e fazer surgir o livre pensamento.

A existência de Eutanásia, ou de morte assistida, não obriga ninguém a fazê-lo. Graças ao livre pensamento e ao livre arbítrio, cada um poderá escolher se o quer, ou não. Já o conceito de “morte assistida” nos tempos da Inquisição consistiu em queimar nas fogueiras, em praça pública, a pessoas que simplesmente não seguiam uma crença religiosa ou que simplesmente eram acusadas de não a seguir.

Nenhuma religião do mundo é detentora da Moral. A Moral, a distinção entre Bem e Mal, é Humana e Universal, transversal às religiões e superior a elas, tal como a Liberdade e o Pensamento.  

 

 

Imagem de laicite-aujourdhui.fr

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