8 Março 2016      20:39

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NÃO BATAM MAIS NO HOMEM

Nota prévia: Escrevo esta crónica 15 dias antes da sua publicação e como tal assumo inteiramente o risco de desconhecer tudo o que se irá escrever (acredito que seja muito) até ao próximo dia 8 de março. Como a minha opinião será a mesma hoje e daqui a duas semanas, aqui vai, para além de que não pretendo de modo algum responder diretamente ao que foi dito, mas sim apresentar outros (os meus) argumentos.

Com todos os requisitos para ser algo viral (adoro este nome!), circula nas redes socias um vídeo, já amplamente partilhado e inundado de cometários, de um certo “senhor” a dissertar “estupidamente” sobre o seu livro e a sua relação com o Alentejo.

Sobre isto, somente dois apontamentos. Primeiro: tanto comentário, mesmo que o seja maioritariamente ofensivo só acaba por lhe dar mais importância que a efetivamente merecida!

Segundo, e indo ao âmago da questão…que monte de disparates!

O nosso país e em particular esta nossa região têm uma larga história e tradição, da qual só nos temos de orgulhar. Não é à toa que a arte Chocalheira e o Cante Alentejano alcançaram a classificação de Património Imaterial da Humanidade, a que se junta o Património Mundial já reconhecido e o possível de o ser.

Este “senhor” não conhece de todo, e muito provavelmente, tal o grau de preconceito que demonstra, não me parece digno de a conhecer.

Sei, como verdadeiro Alentejano que a nossa região também tem os seus problemas, desequilíbrios e desafios. Todas as regiões os têm. Temos um grave problema de despovoamento, para além das diferenças intrarregiões que persistem e necessitam de um esforço adicional para as atenuar.

Mas também sei que temos tantos e tantos motivos de que nos orgulhar e de modo nenhum se cingem à qualidade de vida. Aliás, baseado somente na minha experiência, este aspeto pode estar no Top 5 de fatores que atraem investimento à região, mas nem entra no Top 3.

Quem por aqui anda sabe que existe já “um novo Alentejo”, que não renegando nunca à sua tradição, procura criar valor para a região. Há toda uma nova geração de “Alentejanos” que dias após dia desmistificam o mito do preguiçoso, do alentejano que fica a dormir à sombra do chaparro. Eu orgulho-me de pertencer a essa geração e apesar de trabalhar atualmente em Lisboa, tento transmitir sempre a melhor imagem deste Alentejo. Tento mostrar que existe algo mágico e quase secreto que nos permite obter um equilíbrio perfeito entre a tranquilidade e produtividade! E viver felizes!

A nossa região está cada vez mais empreendedora, mais dinâmica, consegue manter e captar investimentos que poderão servir de âncora para o restante tecido empresarial.

A nossa agricultura continua a reinventar-se, a modernizar-se, a olhar para o exterior e a arriscar novas culturas.

Lentamente, vamos enfrentando o desafio de deixar de ser somente uma região produtora e tentar ser cada vez mais região transformadora. Precisamos de deixar mais valor aqui mesmo.

Por aqui, o turismo não para de crescer. Cada vez mais os portugueses e estrangeiros querem conhecer. E gostam do que vêm. Gostam das nossas adegas, do nosso vinho, da nossa gastronomia, dos nossos costumes e tradições…

Sei bem que podia dedicar as restantes crónicas do ano a elogiar e a enaltecer o nosso Alentejo que certamente não esgotaria o tema.

Em alternativa, sugiro que sejamos todos nós os melhores embaixadores desta região e que reduzamos à insignificância as opiniões insignificantes.

 

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