2 Dezembro 2018      14:11

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Metropolis e outras notas

Metropolis (1927), de Fritz Lang

Simbólico, na época considerou-se que excessivamente. Não poderia ter sido de outro modo, afinal. Vive da grandeza imagética, mas assenta em motivos, em acessos simples – práxis habitual na sétima arte, e mais ainda nos seus primórdios.

Claro que aspira a mudar o mundo. É um filme sobre essa possibilidade inata (firmado que está no coração dos humanos). Falta-lhe cinismo (que convenhamos, nessa época, levando o filme para o seu rosto criativo, era privilégio de apenas um, Erich Von Stroheim, “o homem que amamos odiar” – e foi privilégio que durou pouco).

Queimadas as cópias da versão original do filme (conduta vulgar nessa época), que correspondiam evidentemente à visão do Mestre Lang, o drama de uma possível perda irreparável arrastou-se por décadas.

Apenas em 2010, utilizando uma cópia em péssimo estado de conservação, de 16 mm, encontrada por acaso em Buenos Aires em 2008, foi possível voltar a ver o filme idealizado por Lang.

Muito mal se tratou o cinema a si próprio nesses primeiros tempos. Alguém referiu, certa vez, que um filme “é também a história do tempo que passou registada na cópia”. As impurezas limpam-se, mas a deterioração do registo não, pelo menos para lá de um certo ponto. Não há recuperações/restaurações perfeitas, e ainda bem, pois assim somos obrigados a viver com as consequências de um esquecimento que só por milagre não foi fatal.

 

Iñigo Jones: o arquitecto.

(Livro: Iñigo on Stonehenge (Caroline van Eck))

O arquitecto que tentou reconstruir a memória histórica a pedido de um rei britânico. Stonehenge como monumento de raiz romana. A vontade de assimilar a cultura clássica. Validação científica. Veja-se que o rei não pediu a um historiador, pediu a um técnico.

Jones era também homem do teatro, criador de máscaras. Talvez a explicação para que tenha concordado com o louco projecto.

Jones, servidor da corte. Lógica da encomenda. Na corte obedece-se a quem manda, ao rei.

Estamos, aqui, dentro do cânone classicista, típico da época.

 

Imagem de gazetadopovo.com.br

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