21 Março 2020      12:45

Está aqui

Maio

No dia 3 de maio, após a troca contínua de mensagens e vídeos e vídeo-chamadas por instagram, este era o dia em que Pablo chegaria à Madeira. Este era o dia em que Eloísa finalmente conheceria o seu grande amor, ou paixão, digamos assim.

Eloísa estava em pulgas. Em casa, na casa dos pais onde estava, nenhum dos dois progenitores a tinha visto assim alguma vez na vida. Passara pela adolescência como uma miúda tímida que não tinha vivido as mudanças da puberdade. Eloísa estava a viver agora todo esse turbilhão de sentimentos e estava a adorar. Pablo tinha feito com que Eloísa crescesse e se tornasse mulher, com tudo o que lhe era inerente.

No dia 3, Eloísa acordou às 4 da madrugada. Não conseguia dormir mais. O seu pensamento e a sua ideia estavam apenas num único objeto. Naquele amor virtual que estava do outro lado do atlântico e que ela esperava que a viesse encontrar rapidamente, naquela manhã.

A hora combinada do encontro eram as 11 da manhã. Pablo tinha-lhe dito que chegaria no voo dessa hora que chegaria ao aeroporto da Madeira. Eloísa estava nervosa. Nunca tinha passado por isto. Vestiu o vestido mais sexy que tinha e, após maquilhagem bem colocada, saiu de casa dos pais, em direção ao aeroporto onde, acreditava, iria conhecer o seu amor... Pablo não a ia desiludir. Não podia acontecer.

Às 11, não se antevia a chegada de nenhum voo do exterior. Estaria atrasado? Será que tinha sido enganada este tempo todo? Tudo passou pela mente de Eloísa. De repente, um avião particular chegou ao aeroporto. Um pequeno jacto aproximava-se do aeroporto. Eloísa sentiu um calafrio, tinha a certeza que era o seu Pablo. Da janela que via a pista, la esperava o seu amor.

Do avião, saiu um homem alto, de aspeto tão esbelto que Eloísa reteve a respiração e soube no fundo que era o homem que a tinha deixado à espera durante tantos dias. Correu para a área das chegadas e os seus olhos não saiam da porta.

A porta, quando se abriu, deixou sair um homem alto, tal e qual como o via no instagram. Era Pablo, tal como o visto de modo virtual. Os olhos de ambos cruzaram-se e Eloísa tremeu de novo. Quando A sua paixão se aproximou dela e a beijou, estremeceu. Aquilo nunca lhe tinha acontecido. Era uma verdadeira história de amor e nem as proibições de voos ou contacto social que, numa sociedade distópica pudessem surgir algum dia, coisa que achava que nunca iria acontecer no mundo atual, a impediriam de tocar o homem que tanto esperava.

Pablo tinha tudo o que tinha sonhado. Tinha o charme e o encanto que lhe tinha transmitido. Para ele, Eloísa tinha tudo o que precisava e queria. Era a mulher tímida e por descobrir que ele também ansiava. Saíram do aeroporto num carro que o homem tinha já marcado previamente em direção ao melhor hotel do Funchal. Pablo, em espanhol, disse-lhe o quão linda era, e que a partir daquele momento ficariam os dois juntos. O hotel esperava-os e Eloísa ficaria com ele durante todo o mês a aproveitar os dias e especialmente as noites. A ela, pedia-lhe que fosse sua, que lhe desse a sua completa atenção... e ela, sem pensar assim acedeu e, numa só deslocação a casa dos pais, trouxe todos os seus pertences mais urgentes e ficou naquele resort de luxo com o seu grande amor.

A primeira noite foi de uma paixão indescritível e, por isso mesmo, não a vou descrever. Imagine o leitor aquilo que quiser. O resto do mês foi feito de uma vida perfeitamente idílica, com sensações que nunca Eloísa tinha vivido, nem a nível psicológico, nem a nível físico. O resto do mês foi absolutamente diferente daqueles todos que tinha passado em Beja e no Funchal.

E assim foi até ao mês de junho. Durante o mês de maio, Eloísa estava no paraíso. Porém, nos primeiros dias de junho houve algo que deixou Eloísa em estado de choque. Mas isso só saberemos para a semana.

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