2 Junho 2019      10:00

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Jornada dupla na Aventura R4 Alentejo

Texto: Victor Lamberto[i]   |   Fotografias: Victor Lamberto

 

Abril abriu, com uma jornada dupla, a temporada de 2019 dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo", que deverá levar muitos aventureiros a (re)descobrir mais um pouco de um Alentejo (e “Além-Tejo”) diferente , genuíno e menos conhecido…

Estremoz, 20 de Abril, 09:00 – em sábado pascal iniciava-se a primeira etapa aprilina dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo" deste ano, com a nona edição do “Rota dos Mármores®”. Com estacionamento reservado no central Rossio Marquês de Pombal, a comitiva deambulou pelo imperdível, e sempre muito concorrido, mercado semanal desta cidade, entre produtos alimentares, antiguidades e quejandos… Após compra de produtos locais pelos convivas (e.g. pão, queijos, enchidos, fruta), a caravana subiu até à zona alta, para uma breve visita a algum do rico património aí presente, tendo seguidamente tomado a direcção de Borba (onde iria decorrer o almoço), por estradas secundárias (que tanto apreciamos), deslocação que comportou três paragens intermédias: o denominado “Tanque dos Mouros”, a medieval Igreja de N. Sra. dos Mártires e uma genuína taberna alentejana (para uns copitos de branco de talha acolitados por um petisco). E, anunciada a hora do almoço, a caravana atravessou Borba e dirigiu-se à vizinha Igreja de Santa Bárbara (onde decorria a habitual romaria pascal borbense) para um demorado repasto servido pelos bombeiros locais, em ambiente descontraído, centrado em sabores regionais e sazonais (fazendo jus à campanha “Menu de Mudanças – Coma Alimentos Locais” do Slow Food). Regressados à estrada, a caravana dirigiu-se a Alandroal, para uma detalhada visita guiada, por arqueóloga da autarquia, ao santuário rupestre pré-romano da Rocha da Mina, e uma paragem em pastelaria local de referência, para refrigério e compra de inusitados doces (e.g. Pêro Rodrigues, delícia de bolota, pastel de chícharo), a que se seguiu uma incursão a Terena, nomeadamente ao seu centro histórico e à singular igreja-fortaleza do Santuário de N. Sra. da Boa Nova… Com o sol a aproximar-se do horizonte, foi tempo de uma demorada visita às mais profundas pedreiras de mármore da região, que se prolongou até ao lusco-fusco. A jornada concluir-se-ia com um muito animado jantar, que se prolongou para lá da meia-noite, o que levou a que os convivas tivessem desistido de ir às “Aleluias” da Terrugem (como tem sido habitual em anteriores edições da “Rota dos Mármores®”), pois o cansaço imperava, apesar da boa-disposição, e ainda havia a viagem de regresso…

Concluído o passeio “Rota dos Mármores® 2019”, nona edição que passou por cinco castelos (Estremoz, Borba, Alandroal, Terena e Vila Viçosa) e deu a (re)conhecer mais um pouco do Alentejo genuíno (e.g. mercado semanal, património material e imaterial, indústria dos mármores), importa agradecer aos convivas presentes que tornaram possível e animaram a jornada e aos anfitriões que nos apoiaram e acolheram: Câmara Municipal de Estremoz (António Serrano), Bombeiros Voluntários de Borba e Câmara Municipal de Alandroal (Conceição Roque).

Alcáçovas, 27 de Abril, 09:30 – a segunda etapa aprilina dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo", a “Jornada @ Terras de Viana do Alentejo - IX Passeio de Primavera em R4”, que congregou convivas provenientes de várias regiões do país (e.g. Algarve, Leiria), iniciava-se nas proximidades da estação ferroviária de Alcáçovas, no Monte do Sobral, onde uma visita guiada permitiu conhecer o espaço (e “estórias”) onde militares se reuniram, em Setembro de 1973, na preparação do Movimento dos Capitães de abril. Após esta celebração dos 45 anos da Revolução dos Cravos, a caravana dirigiu-se a Alcáçovas, onde percorreu (em carro e a pé) mais um pouco da, agora mítica, N2, visitou o seu centro histórico, nomeadamente a sua deslumbrante Igreja Matriz de Salvador (visita guiada e amplas vistas) e a envolvente ao Paço dos Henriques (e.g. “Jardim e Capela das Conchas”), seguindo-se uma demorada e muito esclarecedora visita à Fábrica de Chocalhos Pardalinho, que permitiu aos convivas conhecer todo o processo produtivo deste património imaterial da humanidade (desde 2015). Com a hora de almoço a aproximar-se, ainda houve tempo para compras no comércio tradicional (somos fãs) e visita a uma padaria para conhecer o processo de fabrico do tradicional pão alentejano (e sua degustação), cujo epílogo foi a aquisição de muitos exemplares do mesmo e de doçaria, pela comitiva… Seguiu-se Viana do Alentejo, onde teve lugar um repasto prolongado no tempo e no prazer, em espaço popular e com sabores locais e sazonais (fazendo jus à campanha “Menu de Mudanças – Coma Alimentos Locais” do Slow Food). Seguiu-se um “passeio digestivo”, com visita ao castelo e ao património intramuros (e.g. Igreja Matriz de N. Sra. da Anunciação e Igreja da Misericórdia), ao centro da vila, a algum comércio tradicional e a umas cervejas na sede do clube local, após o que a comitiva se posicionou para assistir à chegada da 19.ª Romaria a Cavalo e respectiva cerimónia religiosa de acolhimento (e algumas incursões a genuína taberna nas imediações). Terminada a passagem dos romeiros, a caravana rumou ao Santuário de N. Sra. d’ Aires, para receber um pouco do ambiente de festa da romaria, que começava a se instalar na sua envolvente. Terminava a jornada, já o sol se pusera, com uma breve paragem em Aguiar, para a narração de uma curiosa “estória” ligada a esta terra (envolvendo um padre, um relógio e algo mais)…

Terminada a “Jornada @ Terras de Viana do Alentejo - IX Passeio de Primavera em R4”, que deu a conhecer um pouco deste território (Alcáçovas, Viana do Alentejo e Aguiar; e.g. 25 de Abril, chocalhos, pão alentejano, património, romaria a cavalo), são devidos agradecimentos aos convivas presentes que tornaram possível e animaram a jornada - destaque para os “algarvios” - e aos anfitriões que nos apoiaram e acolheram: Conceição Vitorino, Monte do Sobral (Marco Fragoso Fernandes), Paróquia de São Salvador de Alcáçovas (Telmo Seco), Chocalhos Pardalinho (Guilherme Maia e Francisco Cardoso), Padaria e Confeitaria Ilhéu (Margarida Ilhéu), Câmara Municipal de Viana do Alentejo (Germano Fernandes e Luís Banha), Café-Restaurante Os Arcos…

Iniciada, assim, a temporada de 2019 dos “Eat-inerários Slow @ Alentejo”, suspeita-se que muito mais haverá para descobrir e desfrutar em modo slow travel, em R4, noutro clássico ou… à boleia: um Alentejo genuíno (terroir, enogastronomia, lentidão), amiúde afastado das rotas habituais (e.g. estradas secundárias, paisagens menos frequentadas e espaços menos conhecidos, recantos inesperados, sabores autênticos, experiências singulares), sempre em interacção com as comunidades locais e contribuindo para a promoção dos veículos clássicos, importantes para uma vida mais calma, menos superficial, mais plena…




[i] leader do Slow Food Alentejo   |   coordenador dos “Eat-inerários Slow @ Alentejo”

 

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